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quarta-feira, 22 de abril de 2009

SOBRE A CEGUEIRA BRANCA DE SARAMAGO



Da minha própria verdade, do meu olhar perceptual, se faz esta análise: reparar o que há de representativo na cegueira branca de José Saramago, no livro cujo Nobel de Literatura conquistou em 1998, Ensaio Sobre a Cegueira. Uma obra maleável à essência do leitor.

***

Por que não uma cegueira convencional? Aquela que nos deixa fitando nada mais que o vazio, numa solidão visual amarga, numa escuridão à procura de porquês através de outros sentidos. Mas, Saramago trouxe algo original, tão repleto de sentidos quanto o todo da obra. Algo mais repleto de entrelinhas do que palavras.

Sim, a cegueira branca, ao contrário da convencional fita o infinito, pois nela não existe uma linha do horizonte para limitar o ponto da máxima acuidade visual. Esta cegueirassaramago é aproximar-se muito a algo e, no entanto ainda assim não conseguir ver. Ao contrário da tradicional cegueira negra, onde nada enxergamos porque estamos privados desta habilidade; tudo está oculto e incógnito como o universo - não sabemos se realmente ele existe em finitude ou em sua infinidade, enquanto não o transcorremos.

Mas de onde veio o simbolismo sobre a cegueira branca e qual o porquê dela?

É da ausência de cores que se faz o negro: é não estar, não ser. Contudo, a cor branca se faz de uma miscelânea de vidas, do multicolorido que se funde, transmutando-se em um só elemento. Nesta demasiada clareza, tudo existe, tudo está diante dos olhos, porém uma percepção débil não se faz pródiga sem que haja distinções.

No livro do Sassá (desculpem-me a intimidade, mas minha narração não resistiu), a humanidade sofre com este câncer, a cegueira branca. Esta pandemia se estende, se alastra sobre o homem num ensaio para abrirmos nossos olhos - míopes - perante as atitudes vãs que exercemos. Sobre as muletas que arrastamos como aleijados, reside um comodismo desmesurado onde o desrespeito faz-se dentro da normalidade: roubar, matar e destruir torna-se algo inevitável, desta feita fingimos não enxergar tais atrocidades para seguir nossas vidas - talvez realmente nem as enxergamos. Realizamos assim, “ações-inércia” (agir pela não-ação, ficar indiferente), iludidos com esta válvula de escape: como se deixássemos o mundo perecer não nos influenciasse em vida.

Portanto, trancendamos o olhar. Ver apenas, não basta. Pare! Reflita sobre, conheça! Tentemos reparar no que há/está em nosso redor.


6 comentários:

  1. Queria vir aqui retribuir a visita no Polaróides. Mas que belo texto, fiquei realmente encantado.
    Acho que acabei de encontrar mais um blog para minha leitura diária.
    Fiquei muito feliz pelo achado!

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  2. Não posso deixar meu aplauso calado...
    Os cegos assim já fazem... quero coroar com propriedade o que realmente merece.

    Parabens mais uma vez pelo texto inquietante e desbravador!

    Abraço!

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  3. Excelente texto, cara!
    Não li o livro, mas vi o filme. (você estava lá, por sinal. rs)
    Realmente inquietante, dava aflição cada vez que um personagem ficava cego...
    Enfim, meus parabéns!

    Abraço!

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  4. Não li o livro nem vi o filme, mas você foi muito feliz no texto. Ficou ótimo!

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  5. Essa mente não para de produzir, hein?! Um texto atrás do outro... Esse vc apelou bastante para a Física (inércia, espectros de luz; se é q não percebeu! rs) para falar sobre um tema intrigante... (ou foi propositalmente planejado rs). Muito bom...
    Bjs!

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  6. Olha, vê, enxerga, presta atenção...no que vc escreveu rsrs...seu texto merece aplaudos de pé, pois está divino reproduzindo um pouco do filme sendo misturado com a nossa realidade ou no que acreditamos em que ela seja...parabéns bjus

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Muito obrigado pelo seu comentário (dose)!

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