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.: Um Gole De Ideias :. -> Dois anos no ar!

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domingo, 30 de agosto de 2009

Aniversário [a surpresa esperada]


Finalmente cheguei ao aposento em que todos me esperavam. E o pior é que tinha que manter minha cara de satisfação fingindo não desconfiar de nada. Mais um ano em minha vida... Mais um ano de coisas iguais! Adentro o aposento escuro, as luzes se acendem, e meia dúzia de amigos, mais outros parentes, cantarolava o famoso parabéns-pra-você. As cores daquele lugar, que muitas vezes tomei meu café da manhã sozinho, agora cheio de gente feliz me angustiavam lentamente. Disfarço o suor que transpira em minha testa, e esboço um sorriso cordial em resposta; e com o pensamento firme na ideia de que em breve tudo aquilo irá acabar, segui concordando com a festa que me invadiu em plena maior idade.


Esse dia já começou contraditório. Lembro da primeira imagem que meus olhos presenciaram: minha mãe... Como em todos os últimos anos que minha memória não esqueceu... Sorridente afirma os votos que sempre me causaram rubores nas faces. Hoje não diferente me enchi daquilo. Disfarçadamente acordei e me desculpei de qualquer forma dizendo que passaria o dia fora. Minha bicicleta, a única amiga daquele dia... Não quero mais ver ninguém. Passei o resto da manhã que faltava e um começo de tarde pedalando... Já cansado me acostei sob uma árvore e abri o celular... li algumas das mensagens que me diziam o mesmo.


A tarde ainda muito acesa me angustia por demais. Tento esboçar algumas reações surpreendentes: e se eu voltasse e encarasse as ligações, os apertos de mãos, os abraços de sempre; mas logo me convenço das memórias esquecidas, da tradição do não. Hoje é mais um ano de minha vida, que hoje apesar de curta, me transborda. Estou cheio! Cheio de lembranças por fazer...


Mas confesso que nuns momentos mais calmos chego até a gostar dessa atenção toda. O Orkut deve estar fervilhando de amigos a me cumprimentar... Penso em passar na casa de alguém... Talvez um amigo menos preocupado com a data, uma garota que tenha beijado alguma vez, uma relação mais superficial que me poupe do que já estou cansado de saber: os anos passam, e em breve minha cara demonstrará isso. É isso que vejo: uma cara com rugas rachadas, um velho professor de língua vernácula que foge do mundo no dia que celebram seu próprio nascimento... E que recita incansavelmente os versos famosos de Casimiro de Abreu: “Oh ! Que saudades que tenho/ Da aurora da minha vida...”


E num fim de tarde quase que perfeito de memórias e solidão, fui encontrado. Um amigo veio com um papo de que precisava conversar e nem se lembrou de me felicitar pelos anos vividos; comovi-me e logo me dirigi pra minha casa na intenção de comer algo e novamente sair... Finalmente cheguei ao aposento em que todos me esperavam. E o pior é que tinha que manter minha cara de satisfação fingindo não desconfiar de nada. Mais um ano em minha vida... Mais um ano de coisas iguais!


terça-feira, 25 de agosto de 2009

O que fazer quando seu Amor for um psicopata...


Ele elogia tudo que faz e ainda gosta das musicas folks que ouve e filmes iranianos que só você vê? Tá ferrada! Você acaba de se embolar numa rede “pesca-otário” e será difícil sair dessa sem marcas. Mas, ainda tem jeito. O primeiro passo é desconfiar que o bonitão ao lado, que se diz ser agente secreto e ter muito dinheiro, só quer se aproveitar de você. Está duvidando? Olha só:

Não é uma regra: caras bonitos existem e namoram. Mas daí dizer que você é perfeitamente linda, quando você se enxerga no espelho “Betty, a Feia”! Tem algo de muito errado nisso. O Amor é cego e burro, mas não perdeu a dignidade. Se você tentar o primeiro “chega pra lá” e ele fizer uma carinha fofa, tipo a do Gato-de-Botas do Shrek, pronto! Psicopata que é psicopata finge muito bem.

E nem adianta ele vir com “amorzinho, eu vou mudar”, pois não cola! Psicopatas nunca mudam. Isso é tão verdade quanto o céu é azul, água molha, loira é burra... Não tenha pena. Dispare contra ele suas vontades individuais e projetos pessoais. Se nada disso der certo, esconda (por favor!) os machados e serras elétricas ou qualquer ferramenta que eventualmente possa virar uma arma.

Ele, como todo bom psicopata, não vai sair da sua cola enquanto achar que seu relacionamento ainda tem muito para dar – uma relação “parasita e hospedeiro”, na qual você se encaixa perfeitamente no papel de hospedeiro. Fuja o mais rápido possível para Bangladesh ou o mais longe que puder. Talvez ele não te siga ou até te esqueça, assim que arrumar uma outra trouxa para sugar.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Preliminares [um caso quase real]


O procedimento foi marcado para as treze horas, mas já as dez o médico se encontra vestido de uma bata estéril e conferindo se a equipe está a postos. Do outro lado a paciente, ansiosa, apresenta a documentação necessária na recepção, assina termos e mais termos de responsabilidade. Ela só pensa: é o filho que a gente sempre planejou; e vê em resposta o olhar esperançoso do companheiro de anos.

O médico, certificado da eficiência de sua equipe, circula na sala cirúrgica. A paciente então surge, o médico a recepciona de forma cordial. O velho tenta tranquilizá-la lembrando do milagre da maternidade que a espera, e ela com lágrimas nos olhos sorri em resposta. Ele se lembra de quantos casais já beneficiou com seus métodos de fecundação ousadíssimos. E envaidecido afirma: vai dar tudo certo!

Todos em sala. Anestesia em andamento, mãos deveras limpas e adornadas de luvas cirúrgicas. O corpo nu já nem reclama a posição vexatória. Corpo sedado. Olhos se entreolham por cima das máscaras. A cabeça do calejado cirurgião fervilha de possibilidades, mas a teoria afiadíssima garante o sucesso da operação. Acabou! Agora os olhares são comemorativos. E o silêncio sepulcral de antes é timidamente preenchido por um leve burburinho. O médico conversa com o anestesista num canto da sala. A paciente, fecunda, é coberta e novamente passada pra maca. O mesmo médico faz questão de afastá-la sozinho.

E então ele estaciona a maca, monitora os batimentos cardíacos, visualiza os seios fartos da moça. Pendura o soro e confere o gotejamento, e tira o pano que cobre o ventre. A sala de cirurgia é limpa e o corredor está vazio. O médico verifica a dilatação das pupilas, e nada de despertar. Agora já sem luva nem máscara o velho se livra do cinto e das calças...

...

Uma claridade se avoluma lentamente, e o olho em fenda se abre e fecha. O sono em pleno dia nunca foi tão profundo pensa a torpe paciente. As mãos ainda formigantes esboçam movimentos de pinça, e os pés não conseguem o mesmo por se sentirem presos. Agora a claridade é mais nítida e o olho curiosamente se abre. Sinto a mão mais porca e grotesca modelar meus seios, nem tenho força pra nada. Arregalo intensamente os olhos, e vejo a crueldade do monstro ao abrir mais o soro e me fazer de novo morrer.

domingo, 16 de agosto de 2009

Poesia da dúvida?


Por que cantar, feliz, o amor?
Já que o amor traz consigo a dor
A dor do viver, querer e não ter
A dor do ter, perder e sofrer

Amar o que pode morrer
O que pode correr
O que pode não corresponder
Mas amar é o que faz viver?

Viver por amar outrem
Viver por não ter saída
Viver, então, por alguém?

Ame ela
Ame ele
Amar a quem, afinal?

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Eu desejo...


Eu desejo que a esperança sempre se renove, assim como o Sol ressurgi de uma nebulosa e fria noite. Ainda que as atordoantes ondas do seu bravio mar te impeçam de avistar o porto seguro e submergem sua confiança em águas profundas e sufocantes. Ainda que ninguém ao seu redor te ame e que sua única saída seja a reclusão em uma fortaleza interior.

Eu desejo que o sonho nunca se desfaça, mesmo que o deprimente cansaço e o descaso dos outros tornem-se como grilhões, que travam seus passos e te façam retroceder. Mesmo que as vozes nunca se cansem de bradar sua frágil condição e eminente incompetência. Mesmo que as trilhas por onde você percorrer sejam um emaranhado de armadilhas enganadoras e tropeços se levantem diante de ti.

Eu desejo que o amor jamais se acabe e que sua morada se torne inabalável e constante. Ainda que pouco se tenha e que toda a riqueza se vá, como areia em mãos abertas. Ainda que o que você tenha colhido seja muito menor que o que plantou. Ainda que você não tenha para onde fugir, preso ao fundo de um angustiante poço. Pois o amor não limita passo;ele mostra caminhos.

Eu desejo que a força de viver seja maior que a necessidade de não existir. Que a persistência seja superior à paciência e que as lágrimas visite pouco o coração atribulado. Ainda que meio mundo oponha-se ao seu ideal e que torça pelo seu degradante fracasso. Para os outros, você não passa de um ser sistêmico e confuso. Mas, para mim, você é um potencial em movimento. Prestes a eclodir um universo de novas conquistas.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

E assim foi feito! Por assim será!




Era tarde quando a noite cobria com seus olhares brilhantes no céu toda nudez da vida e protegia dos perigos as almas recém despertadas no leito do saber e da criação, onde tudo era movido com o desejo, e a maldade era apenas conhecida dos mestres que não ousavam infectar a pureza do novo mundo!
A voz que falava com ternura e sabedoria era ouvida por todos como uma só voz...era o tempo onde tudo e todos eram próximos o bastante pra entender a dor do outro se ali houvesse solidão.
Não havia maldade nas trevas...ela já foi acolhedora.
O sofrimento que podia ser sentido era fruto das boas coisas que vinham de forma diferente..como o amor que dói só por amar!
Foi um tempo de quase paz e sem conflitos..mas deter a sabedoria era desejo dessas almas que buscavam entender acima de sua humanidade. E foi pago um preço cruel.
Com a sabedoria veio o mal, e peste, e fome, e a morte!
Tempos difíceis chegaram...muitos se arrependeram.
Queriam conhecer! Não sofrer!
Mas existe algo que se chama evolução
E não se evolui sem tropeços e erros...a perfeição so pode ser alcançada por quem não é prefeito.
Não se domina uma arma que nunca atirou!
Nos tempos antigos homens e deuses eram amigos e se comunicavam com uma so língua.
Mas hoje o homem esqueceu seus deuses e os deuses então deixaram os homens.
Agora temos que viver a arrogância de um tempo antigo cujo preço pagamos hoje!
Estamos sozinhos na nossa busca!
Cabe a cada um trilhar seu caminho para para o bem ou para o mal. Seguindo seus preceitos de certo ou errado e vivendo segundo as leis que regem nossa moral!

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

poesia nº1



Eu detesto o que não é eterno

Não digas o que queres dizer

Na simpleza do breve poder

Faz-se possível o inferno


A tua boca, que me beija

Também me fala, iguala

E num desejo estranho, cala

A tua linda boca deixa


E quando calo as palavras

Rendo-me a ser invisível

Aos ouvidos só o sensível

E da pele campo de lavras


A porta está aberta, mas não vá

É só adorno de liberdade

Que fique de própria vontade

E ao meu peito dê voz pra louvar

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