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.: Um Gole De Ideias :. -> Dois anos no ar!

.: Alexandre Lopes :.
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segunda-feira, 23 de novembro de 2009

A vida me pregou uma peça!


Dedico ao Alexandre, pela conversa inspiradora.


Certa vez, no alto de meus 10 anos, a vida e eu fizemos um trato: eu a levaria em frente sem reclamar e ela jamais afastaria meus amigos de mim.
Vida mentirosa!
Segui à risca minha parte, mas ela, vil que só, tirou-me os amigos.
Vê-los anualmente não era o acordo, nem mesmo mensal ou semanalmente, todos os dias, era o contrato; caso contrário não teria assinado.
Já sei, foram aquelas malditas letrinhas miúdas!
Deveria ter desconfiado, aquelas letrinhas tinham um quê de coisa desprezível.
Deixe-me conferir o que há, afinal:

O contrato será invalidado caso os amigos façam faculdade em outras cidades, arranjem namoradas ou em caso extremo, se casem!

Devia ter negociado melhor...
Quando assinei o contrato não levei em conta que meus queridos amigos fariam suas próprias escolhas, que eram donos de seus destinos, e que a danada da vida só era responsável por levá-los de um ponto ao outro, sem direito a interferência.
Dito e feito, cada qual fez faculdade numa cidade diferente, os poucos que ficaram arranjaram namorada e viveram por elas e para elas... e eu fiquei sozinho.

Puxa! Tentei controlar a vida e ela me passou a perna!
Pobre de mim, traído por meu próprio egoísmo.
Por vaidade, não posso, agora, esmorecer!
Espero, então, a morte!
Quem sabe se lembrem do velho amigo, neste momento triste, e por amizade ou mesmo piedade, venham derramar ao menos uma lágrima sobre meu caixão.

Dentro dele haverá um menininho de 10 anos que perdeu a vida porque a vida não lhe mostrou em letras garrafais que amigos seguem rumos diferentes, mas que a amizade e o amor que um dia os uniu ficarão para sempre em seus corações.

sábado, 21 de novembro de 2009

Quase um segundo

Novamente o vento revirava seu cabelo e o seu destino sólido dizia sim ao meu. Era tarde, mas aquela tarde coloria meus sentidos ao passo que seus passos alforriavam-me. O vestido ondulava em primavera e os lábios sorriam em tom maior. Aquela paz de criança dormindo deu lugar para um êxtase discreto que me acendia desejos de pele. Ah!, pulsa coração em samba. Da esperança tanta, mal sabia se restou.

Ao olhar em minha direção não tive outra reação senão calar-me de palavras e intenções. Por quase um segundo em nirvana senti-me monge tibetano para receber um milagre. As cordialidades dessa vez não ressoaram para que todos ouvissem se limitaram a precisão do olhar. Eu a cortejei e ela, linda, respondeu sutilmente fitando o chão.

Aproximando-se mais notei certa ânsia no seu olhar. Contive-me, e apreciei ferozmente a suavidade de seus movimentos. Ela pendulava os braços harmoniosamente e chegava sem pressa a minha presença. Dois passos ainda nos separam. Dois preguiçosos passos distanciam minha boca dos lábios dela.

Chegou. Ela chegou e ao invés de agarrá-la meu corpo em esfinge freou-se para passivamente retratá-la a memória presente. Eu senti a respiração calma e sua pele fresca cheirando sabonete. Talvez ela não vivesse com essa intensidade toda, a prisão moral nos enclausura em certas liberdades. Naquele instante tudo isso se rompeu e minha boca tocou a dela sem pudor nenhum, mesmo que a mente pulsasse sem querer o nosso sobrenome comum.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Análise sobre o blog

Dizem que ideia boa se copia. Bem, foi pensando nisso que apropriei a ideia coletiva de blogar de maneira diferente. Eis aqui uma análise do nosso blog e expectativas sobre ele, levando em consideração as parcas postagens do grupo “Amigos de Gole”:














quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Síndrome de Cotard*


Eu não sei o que eu ainda estou fazendo aqui. Era para eu estar enterrado ou em decomposição há muito tempo atrás, que eu me lembre. É incrível que minha família não se espante comigo, andando de lá para cá, me confundindo com um fantasma. O pior é que eles conversam comigo. Meus amigos, minha viúva ex-esposa – que até agora não se casou de novo – me cumprimentam, como se eu estivesse entre os vivos.

Vou explicar: eu morri. Não sei se me mataram ou foi por motivos naturais. Mas acontece que eu não estou mais vivo. Começou com uma dormência nas mãos. Foi subindo, subindo. Chegou ao coração e, puff, parou! Não senti dor. Até achei estranho eu ter morrido e, ao invés de um típico velório, fazerem uma comemoração do dia dos pais. Todo mundo me deu parabéns, me felicitaram. Mas eu morri!

Era difícil para eles entenderem, eu sei. Um dia desses descobri que eles podiam me ouvir. Minha família sempre foi meio esquisita, daí dizer que todos são mediúnicos, era demais. Mas não é que todos me ouviam. Finalmente disse para minha viúva ex-esposa: “Eu morri, não esta entendendo?! Morri! Arrume outro homem e seja feliz!” Ela sorriu docemente, como quando aparecia pelado na frente dela.

Eu achei que iria para o céu. Nunca acreditei em céu ou inferno. Mas se preferisse estar em algum lugar, que seja o menos quente. Não subi nem desci. Permaneci em meu lar. Não há nenhum lugar como nosso lar, mas eu estou morto. Merecia um lugar de descanso eterno melhor que minha casa. Enfim, começo a achar que eu não morri, de fato. Mas que, na verdade, eu nunca existi! Se eu penso, logo, existo... Ah, deixa isso para outro dia, estou morto mesmo!

* Delírio raro, em que o paciente acredita está morto ou não existir.

domingo, 8 de novembro de 2009

TERMOgole


Hoje pela manhã a música que ressoava era mero adorno, os mosquitos zunindo, as vizinhas ensandecidas, o lençol pinicando e a leve dor de cabeça também. Hoje o dia era todo calor, e o sol tomou mesmo posse no seu reinado que parecia eterno.

E já eram três horas da tarde quando os ponteiros apontavam para dez da manhã. Já nem tinha amanhecido e eu delirava com o frescor da noite que agora já a tenho e nem faço por sentir. Seria fragilidade ou alergia?

Na preguiça por desenvolver uma teoria mirabolante lamento-me em goles de ideias. Ideias estas que rareiam por aqui, quase seco nessa prosa encalorada. As palavras preguiçosas que me saltam aos dedos são nitidamente desapontadas.

Porém essas dores escritas, ou lamentadas se preferirem, são quase um protesto aos que endossam minha solidão literária, mas deveria ser ao sol que me deixa ainda mais impotente. Falo a quem possa me ler, ou me esfriar de desejos básicos.

Mas lá vem o natal, e toda a sua neve... pinheiros e bonecos gordos e brancos. Dá até vontade de rir. Queridas crianças implorem um natal desses, para que não cheguem à idade adulta e venha a lamentar o sol em textos encaixotados num blog.

Aposto que Vivald não comporia aquela beleza de verão nesse calor tropical. No máximo sairia um funk. Aqui nem vemos as quatro estações: faz calor quase sempre e frio quando o sol sai de férias... e o danado nem gosta de descansar muito! Deve ter cismado com a nossa cara.

Meus poros dilatados, o corpo sua... e pulsa intensamente e ferve e quase funde... mas nem é sexo. É só mais uma bendita tarde de calor... e pensar que isso pode nem passar... e pensar que posso me mudar... e pensar que escrevi um texto inteiro sobre o tempo, assunto preferido dos sem-assuntos... DROGA! Aqui neste bar ainda tem ideias?
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