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.: Um Gole De Ideias :. -> Dois anos no ar!

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quinta-feira, 29 de abril de 2010

Não comerás!


Gente, depois que a Organização das Nações Unidas disse que daqui a quarenta anos o número de habitantes no planeta chegaria a 10 milhões, eu fiquei preocupado. Pense junto comigo: se sendo somente 6,7 bilhões de pessoas, a gente já consome 230 milhões de toneladas de carne anualmente, imaginar o dobro de pessoas se alimentando com carne?


Beleza, é só aumentar a produção de carne. Mas pensa de novo junto comigo: se aumenta o número de pessoas, consequentemente, deve-se aumentar a área para essas pessoas viverem, não é verdade? Aí é que está o problema. Onde a galera vai viver e onde é que vão se criar os bois, vacas, galinhas, já que os espaços rurais deverão ser tomados para abrigar esse monte de gente?


Você pode achar que eu sou mais um cidadão impressionado com as coisas que passa nos jornais, eu sei. Mas isso não é verdade. O consumo exagerado de carne carrega estragos irreversíveis no planeta. Para produzir meio quilo de carne é necessário cultivar meio campo de futebol com alimento para o animal. Mais carne, menos área habitável. Não é só isso: gasta-se muita energia, gera muito esgoto e acaba com a natureza.


É por esse motivo que eu decidi, aos poucos é claro, abandonar o hábito de comer carne. É extremamente difícil, ainda mais que é uma questão cultural. Carne no congelador é sinônimo de fartura, riqueza e até satisfação pessoal. Tente passar o domingo só com arroz, feijão e ovo. Alguém não vai chegar vivo até o horário do Fantástico, tenho certeza.


Isso não é a solução para a superlotação do planeta, mas uma questão evolutiva. Na escassez de alimentos protéicos, como a carne, quem começou agora com um “plano heróico de diminuir a ingestão de animal morto” tende a se dar bem num futuro caótico que os analistas preconizam. Ah, e tem o fato social que quem não come carne é visto como intelectual – para não dizer nerd.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Manual da angústia

Hoje escrevo àquelas pessoas afortunadas, para aquelas que de tão felizes possuem uma grande dificuldade de cultivar no âmago seus questionamentos e inquietações. Não é nada fácil largar esse estado de gozo eterno e encarar uma angustiazinha; mais difícil ainda é reconhecer que o mal que se tem é esse. Está aí um bom ponto de partida: o primeiro passo pra uma boa angústia é notar a vontade de ser assim.

Definições e apoio científico sempre ajudam nessas coisas. Fui ao Aurélio e ele me trouxe essas definições: “1.Grande ansiedade ou aflição; ânsia, agonia. 2.Grande sofrimento ou atribulação.” Podemos continuar relacionando a grande tendência de nossa contemporaneidade, a felicidade plena, e reconhecendo a dificuldade que me trouxe esse tema.

O estado de “quase” pode ser o primeiro sintoma visível. As respostas automáticas aos quase amigos também. Eu falo daquele “estou bem” que sai sem saber porque, e que preenche o angustiado do lado de lá que responde, geralmente, com um “estou bem também”. Nesse ponto a angústia é fantasiada de felicidade que dura o tempo de um baile a fantasias, basta perguntas mais invasivas.

Se você tem os sintomas acima mencionados, não se preocupe. As necessidades mais específicas e a exigência no mercado da felicidade podem justificar momentaneamente o que você chama de crise. Talvez este seja o ponto chave: não trate a angústia como uma crise. Depois de constatada só lhe resta um caminho passivo e solidário a ela. Você não procura mais a felicidade e sim um tempo sem angústia. A exigência vai passando ao passo que o tempo de convivência aumenta. No fim ficamos bem com ligeiros segundos felizes, e o tempo quase que integral é dela.

Neste outro parágrafo pretendia narrar com detalhes explícitos a angústia que foge aos dicionários. Agora um filtro antirrecorrência me impede do óbvio. Não me embrenharia linha afora pra dizer o que vocês já sabem e vivem tão cotidianamente.

A angústia se multiplica no vazio, se mistura à falta de tempo, bebe das crises existenciais, se alimenta do hiato amoroso e da falta de palavras. Quando estiver a sós com ela não transmita vontade de se ver livre, não deboche da falta de motivos nem pense ser mais uma viajem de seus pensamentos tortuosos. Encare-a! Cale a voz, a sua voz, e sinta-a. Viver a angústia pode ser o primeiro passo pra reconhecer os próximos momentos de alforria.

Este texto, por exemplo, que se nega... que se contradiz... que se resume... pode ser gerado de angústia e para a angústia. E o clube dos angustiados ganha mais associados a cada dia. Estamos tão desamparados e carentes que apelamos, imploramos por palavras. Qualquer palavra que nos mostre a felicidade. Autoajuda pra ganhar dinheiro ou novo cônjuge, pra conseguir emprego ou paz espiritual. Não importa a via de reza, importa agora o bem viver. Ah!, como eu queria ver: “Vende-se um manual da angústia! Vende-se um manual de ser!”

domingo, 4 de abril de 2010

O médico disse

O médico disse que estou demasiadamente acima do peso e que devo melhorar minha alimentação. Disse que devo fazer exercícios físicos regulares e procurar tratar de minha depressão. Em meia hora gastei cerca de cem reais e tive ódio por estar vivo dentro dessa capa sedentária de gordura acumulada. Que espécie de deus ele acha que é?

Fiquei escutando as recomendações e imaginando as cenas que vi algumas vezes. As academias lotadas de gente fazendo careta e suando, feito primitivos, a caminho de coisa alguma. Isso não é pra mim. Eu sou um intelectual! Olhei em cima da mesa dele um cinzeiro cheio de pontas de cigarros. E que ele era tão gordo quanto eu. Ainda me contive.

Levantei, tirei a camisa como ele sugeriu. Ele encostou aquele estetoscópio gelado do meu peito e disse que minha respiração estava meio ofegante. Receitou uns exames de rotina. Pensei: só se for a sua rotina, minha vida não é essa. Acho que minha revolta não vai se conter por muito tempo. Ele olhou meus olhos, puxou a pálpebra inferior com o dedão e suspeitou de uma anemia também.

Juro que àquele ponto da conversa já me sentia um hipocondríaco ou um covarde que tem medo de viver e que vive nesses laboratórios esperando um aval pra vida. Já tinha ensaiado uma série de observações e diagnósticos que fiz àquele velho que me repreendia. Resolvi me vingar de forma mais culta e cá estou. Não fiz os exames que ele pediu... E ainda estou aqui, e aposto que mais feliz e vivo que aquele poço de sabedoria curativa.

Os padrões de normalidade podem não fazer bem aos que são fora dos padrões. Existem formas alternativas de se ter a tal felicidade vital. Ignorei o medo da morte por hoje, e se ela voltar procuro um amigo que me tenha um abraço aceso, ou uma pessoa que me dedique bons beijos luxuriosos. Sigo driblando a insegurança e a sensação de pobreza intelectual que não me supre sempre. Estou bem! Que seja assim.

AO PERSISTIREM OS SINTOMAS UM MÉDICO DEVE SER CONSULTADO. MAS QUE A CONSULTA TENHA AR DE CONSULTA, NÃO DE DECRETO. TUDO É ALTAMENTE QUESTIONÁVEL.

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