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.: Um Gole De Ideias :. -> Dois anos no ar!

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terça-feira, 29 de setembro de 2009

Antes de Partir...


Não é a minha intenção criar um círculo de lamentações e lamúrias, enxurrado de lágrimas e sufocado pelos temores contagiosos que rondam a vida humana. Estou morrendo, porém vivendo para a realidade. Nunca antes na história da minha vida me senti mais feliz, mais vivo. Tudo que eu fiz está estampado nas páginas dos livros alheios e meus. Mas algumas coisas foram deixadas para trás.

Por isso, antes de partir, deixo algumas linhas de coisas que deveria ter feito, mas não o fiz. Não me pergunte por quê. Minha respiração está fraca e vacilante demais. Não teria condições de dizer os motivos frívolos e as intenções superficiais que me arredaram tangencialmente do percurso comum da minha vida. Deixo em forma de prosa o que eu não consegui ou consegui fazer aos outros.

Deveria ter dito que amava. Mesmo que por vaidade; vaidade minha mesmo! Para saberem que sei amar, mesmo fingindo. Um amor fingido é melhor que não amar ninguém; nem a si mesmo. Podia ter simulado um amor tórrido e indescritível, desses que consomem noites inteiras de prazer e luxúria. Poderia ter sido a menina da esquina, a professora de inglês, a moça da farmácia.

O poeta dizia que a amizade é o menos biológico de todos os sentimentos. Desse, sim, não preciso forjar lembranças e imaginar emoções. Tive amigos, bons amigos. Desses terei saudades dos momentos indizíveis, remorso por não dizer o quanto cada um fora importante para mim e vontade de carregá-los para os lugares inóspitos, por onde minha alma vagará desolada e errante.

Agora, me deixem ir. Não chorem! Há inúmeras razões para que se evitem as lágrimas. Este mundo não me suporta mais. Ele sabe que corre nessas veias finas um sangue grosso de revolucionário. Seja lá qual for meu destino – queira Deus que de paz! – estarei certo de que fiz o que pude para transformar meu viver em uma animada vontade de ser feliz. Te encontro atrás do palco, amigo. Até mais...

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Caso eu case...


Descobri uma maneira de viver eternamente feliz com a pessoa amada pelo resto de nossas vidas: respeitar o espaço individual, a distância entre nós. Enquanto eu permaneço com meus pés para o alto, em minha casa no Sul, ela desfrutaria da minha ausência na sala de estar de sua casa – no Nordeste. Ir a lugares interessantes todas as semanas. Mas ela na segunda e eu, na quinta. Ter longe do alcance o celular e esquecer o número da esposa.

Caso eu case, será um tipo de relação única e fundamentalmente consensual. Um contrato assinado, respeitado e temido: que me dê pleno poder de sair desse barco-casamento ao menor sinal de pique. Também garante muitas coisas a amada: que fique bem longe de mim caso eu ganhe na Mega Sena, mude o nariz ou faça aquele tão sonhado alongamento peniano. Há muito tempo não sei o que é uma noite embalada por um ardente e desvirtuoso jogo de amor.

Como um bom pensador, acredito que sei o que faz os casamentos darem errado: casar! Só se divorcia quem se casa. Não é à toa que o casamento é causa número um de separação no país. Contudo, eu ainda não entendo os homens: quando estão sozinhos, querem casar. Quando estão casados, querem morrer. Uma redenção encontrada não somente no suicídio, mas a ideia do homicídio retumba em sua cabeça. Casar-se compromete a sanidade, dizia o pintor da minha casa.

Caso eu case, darei ouvidos aos pensamentos de meu pai – que Deus o tenha em bom lugar. Ele que era homem de verdade. A partir do “sim”, no altar da igreja, nunca mais conversou com minha mãe. Dizia ele que isso evitava discussões. E no aniversário de trinta e cinco anos de casamento, ele deu a ela uma cadeira elétrica. Até hoje, nunca entendi o tal presente. Mas em um verão, houve um apagão geral na cidade. Depois disso, meu pai nunca reapareceu.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

AS CRÔNICAS SECRETAS DA DINASTIA CHAN


Há muitos anos, isso bem antes de Cristo (não que ele tivesse importância neste período, pois era a época de Confúcio e do fundador do Taoísmo, Lao-tse), durante o legado da dinastia Chan, as primeiras crônicas foram talhadas em ossos de gado ou búfalo; estes seriam os respeitados e afamados “ossos do oráculo”, utilizados para ritos e adivinhações.

Esse uso exímio da escrita, que tornou imortalizada toda organização da dinastia, foi de bom proveito para a evolução e criação de um estado forte. No entanto, o que ninguém sabia, era que um líder, alguém que nem me lembro do nome (pois, como já disse: isso aconteceu há muito tempo!), utilizava os sagrados ossos do oráculo para orientação própria.

***

Agradeço-te por tudo, primeiramente. Aqui no nosso Vale nada nos falta: o Rio Amarelo guarnece a terra de fertilidade para as nossas colheitas, nosso bronze dá-nos os mais belos e práticos instrumentos. Além disso, gozamos em paz, sem rivais nos assombrando ou dragões nos assolando. Cidades estão sendo erguidas!

Ao pôr-do-sol suas oferendas, os mais belos vasos de bronze repletos de jades e castanhas, serão lançados ao rio em teu nome - como já até deve saber, ó Aquele Que Tudo Sabe! Agora, pergunto-te: se seria possível dar-me o amor da mais bela de todas as moças, a do rosto esculpido em argila?

***

O local onde o tal líder Chan realizava o rito lembrava as trevas; as chamas das velas e a fumaça rósea dos incensos cortavam o ambiente formando penumbras de diversas formas geométricas que pareciam vivas - e realmente estavam. O suor escorria da fronte do líder e seu olho estava semi-serrado pelo poder do ópio que fora consumido. O osso fresco repousava sobre o altar e um instrumento incandescente estava nas firmes mãos ,enluvadas com couro, do líder. Seus olhos se fecharam... E ele entrou em transe... Após algumas horas, os seus olhos abriram-se e visualizaram o osso, agora coberto de inscrições, que foram traduzidas assim para o português:



RESPOSTA AO CORDIAL CHAN APAIXONADO




Amado servo, essa que desejas pela beleza é sua irmã. Mas nada para mim é impossível, e nem para ti, se é isso que queres; Pois saiba que existe um preço a se pagar por isso muito além de qualquer oferenda. Assim, antes o alerto, que, caso consumado o seu desejo, todos os que te descenderão estarão fadados a uma inesperada maldição. Além disso, seu povo será conquistado por outros, advindos do noroeste, os Chous, e nada poderás fazer. Mas se é a sua escolha realmente... Apenas obedeça ao escrito deste osso.

Com os matizes verdes do Jade presenteará sua amada e, também, a si próprio por sete dias – são quatorze pedras ao todo. No último dia, com a última das indestrutíveis pedras, acertará a cabeça da bela moça, quando em sono profundo, e terás de beber ao menos uma gota do seu sangue. Viverão o amor eterno!

***

E tudo foi feito à risca pelo líder. Assim, ele consumiu sua irmã e compartilharam um amor intransponível. Seu próximo desejo fora um filho, mas o oráculo não quis o conceder: as tentativas eram frustradas, pois nasciam mortos ou completamente desfigurados, anômalos.

Os Jades deram para o casal a dádiva da eternidade: presenciaram os seus familiares serem assassinados, o seu povo destruído. Além disso, o casal foi aprisionado pelos Chous. Consciente de que inexplicavelmente eles não conseguiriam ser mortos, o imperador dos Chous ordenou que fossem cobertos com argila, depois com bronze e que, desta forma, fossem enterrados vivos no Grande Monte ao lado dos ossos do oráculo - as crônicas que narravam toda história de uma dinastia.

Os anos se passaram... E o líder vivia com uma amante intangível. Apesar de a sua amada aposentar-se ao seu lado, não poderia mais senti-la e, ainda, vivia com as dores indeléveis das guerras que foram travadas assolando sua mente. Pena que esse amor foi esquecido na história, mesmo com a Dinastia Chan perpetuada pela escrita, pois ninguém, exceto eu, teve acesso aos ossos secretos do oráculo.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Prisioneiro


Eu não sou livre. Ninguém o é. Olhe todas essas amarras que insistem em erguer-se ao nosso redor. Tantas regras, éticas, rótulos e dilemas. Dizem que não há como viver em sociedade sem algum tipo de organização. Creio nisso, mas este sistema é uma desordem burocrática cega, imprecisa e violenta. E a liberdade individual é aceita se andar na mesma mão do bando. Se divergir, obrigam-nos a ser “livre” como a maioria.

Outra coisa que me perturba a mente é o fato de não saber quem eu sou. Não sei se minhas vontades e desejos primitivos são reflexos de um consentimento social ou partem do valor individual de uma análise. Acho que fui bem programado para fazer o que manda a cartilha e esquecer o que eu era, para me tornar algo socialmente aceito. Não sou mais um indivíduo, sou parte de uma massa. Sou peça encaixada, que não tem importância sozinha.

Não sei quem sou e não posso agir como quero. Encontrei aqui uma certeza comum, algo que está no inconsciente social: todo mundo não sabe mais o que quer e o que é. Eu vejo clones, ao invés de pessoas. Todos agindo conforme o outro, sem nem ao menos querer saber o porquê dessa sincronia massificada e perturbadora. Todos pensam a mesma coisa, falam a mesma coisa, amam a mesma coisa e o que for diferente disso não cabe no grupo.

Era para ser assim: para eu ser aceito no grupo, eu deveria apresentar uma opinião diferente da geral, ser livre para gostar do que eu quiser, ser diferente e único em tudo e com todos, não participar dos processos que me torna igual a todo mundo e viver bem com isso, sem nenhum tipo retalhação. Ser diferente é completamente normal, isso está na moda. Tomara que dure muito tempo. Não aguento mais não ser eu mesmo!

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

SOBRE UM MENINO QUALQUER...



Hoje falarei sobre um menino, o qual respondia pelo nome de... Bom, o seu nome não importa, leitor. Mas uma coisa eu garanto: esse menino não sou eu, claro. Como bom narrador que sou, estou repleto de informações fumegantes e , aqui, apenas explicitarei resumidamente tudo o que me contaram e presenciei. Não, isto não é em gozo uma biografia, tampouco um diário! Mas um breve recorte sobre a história de um menino que "roubava" manchetes.


Aos dez anos, o tal menino era um menino como outro qualquer. Gostava de brincar, assistir TV e frequentava a escola regularmente. A aula que mais gostava... não era bem uma aula: era o recreio – mas lá tudo se aprende. Tinha suas dificuldades com a gramática e a Física, mas nada demais. Realmente ele era um menino comum. Contudo, uma estranha vontade - ou seria sua curiosidade? - emergiu e um hábito se faria mister.


Todos os dias, pela manhã, ele passava em várias bancas de jornal e folheava numerosas revistas, lia manchetes completas, chegava a ficar quase meia hora em cada uma delas – tempo que estipulava para a sua presença. Como ele fazia isso? Ele tinha uma estratégia...


Seu horário de aula era vespertino, assim, suas manhãs que eram ocupadas desbravando revistas e jornais. O Menino, espertíssimo, criara numa breve pauta uma relação que continha o nome de catorze das trinta e duas bancas de jornal da sua cidade, para que fizesse um rodízio de visitas durante uma quinzena. O objetivo era fazer com que os jornaleiros não se recordassem da sua visita inoportuna, pois nunca comprava nenhuma revista de todas que folheava.


Na banca que se situava no quarteirão de seu apartamento, ele nunca abria revista alguma, pois o jornaleiro era conhecido de sua mãe. Era a Banca do Gole, grande Gole. Nesta banca ele apenas olhava as manchetes principais dos periódicos à amostra, sem tocar em nenhum exemplar. Feito sua “pesquisa de mercado”, ele sabia ao certo quais materiais seriam o seu alvo de leitura, deste modo perderia menos tempo. Pegava no bolso o seu papel que indicava as possíveis bancas do dia - duas. E fez isso por quatro, cinco anos...


Como conseqüência de sua compulsão quase inenarrável, suas notas melhoraram indiscriminadamente, pois a facilidade que havia conquistado para com a língua portuguesa, maximizou o seu raciocínio lógico e, assim, em todas as disciplinas obtinha êxito. Bem... Quase todas, pois as modalidades físicas foram ficando para trás, além do mais, o Menino começou a detestar futebol. Aos quinze anos, o Menino fundou, em conjunto de sua querida professora de Português, o Jornal da Escola – era coisa simples. Mas, isso era pouco pra ele.


Aos dezesseis anos conseguiu o seu primeiro emprego no Jornal da Cidade, desta forma suas primeiras revistas foram compradas, finalmente. Pródigo, seu primeiro livro foi escrito um ano e meio depois tendo sua publicação financiada por um programa da Secretaria da Educação. Fez o vestibular. Cursou Direito para agradar a sua mãe e durante sua graduação conseguiu publicar dois livros motivado e incentivado por um coordenador ancião que gostava assaz de suas colunas na Tribuna – jornal bimestral de sua instituição de ensino. Só os seus amigos compraram o seu primeiro livro e o seu segundo não vendeu muito, mas vendeu... o suficiente para que a editora o pressionasse para escrever mais exemplares – vigorou-se como escritor. Ainda assim, exercia Advocacia para possuir boa renda.


Quando completara vinte seis anos, o seu terceiro livro ganhou uma premiação estadual. Aos seus quarenta e nove anos, com seis romances escritos, três livros de contos e crônicas e dois ensaios jurídicos, ele conquistou uma cadeira na Academia preenchendo o vazio de um grande escritor o qual não me recordo do nome. Antes, aqui referenciado como um menino comum, sua vontade o tornou excepcional. Virou um menino singular com muitas conquistas.


Contudo, ainda que com tantos méritos conquistados, até hoje, eu não resisto quando passo por uma banca de jornal.

És belo, és forte... És risonho

Hoje bem cedo fui convidada pra uma saída. Não resisti mesmo sabendo do compromisso de trabalho que iria enfrentar depois. Fui com a roupa que iria mais tarde ao tal compromisso – como me arrependo disso! Enfim... Junto a alguns amigos achei que não houvesse mal nenhum em bebericar alguns drinks charmosérrimos que desfilavam nas bandejas coloridas em minha frente.


Um... Dois... Cinco... Já nem sei mais quantas vezes visitei aquelas bandejas. O som era animado. Fui ao banheiro e retoquei a maquiagem: estou linda pensei. Volto à festa e todos são amigos. Tinha um videoke, me acabei. Ninguém ligaria pra minha desafinação afinal já sou consagrada. Meu companheiro passa a me limitar as bebidas. Acabo me irritando com essa censura. E eu não sei o quanto posso beber? Estou ótima disse eu. Acho que o convenci.


Depois de umas três horas de festa eu já estava cansada de rir dos novos cantores que surgem a cada copo. E com a fartura de bandejas e garçons que havia naquele lugar vocês já podem imaginar o coro que havia ajudando os calouros. Mas apesar do clima divertidíssimo fui tomada por um arrependimento... Cacei na bolsa a letra da música que ia cantar e descobri que a letra, que deveria ser familiar, parecia um código em braile. Bem que deveria ter prestado mais atenção no que entoava aquela velha diretora antes das aulas no ginásio. Tarde demais.


Fui tomada por uma dor de cabeça insuportável. Achei a velha neosaldina desprezada no fundo da bolsa e não pensei, tomei logo duas. Estava trêmula, bêbada – inegavelmente, com dores enfáticas na fronte, e a essa altura já não mais me sentia linda. Pedi ao companheiro careta que me levasse ao local onde deveria estar a dez minutos atrás e ele me escorou com o braço e me indicou o caminho que já era fosco. Cadê meus óculos?


Todos esperavam por mim quando meu companheiro adentra o salão lotado. Eu experimento uma caminhada solo e consigo chegar com sucesso ao meu lugar perto do músico que me acompanhará. Certifico-me de que a letra está arrumada no suporte a minha frente e faço um sinal positivo ao locutor que me anuncia logo em seguida. Cheia de valores patriotas e radiante por ser eleita para cantar o hino nacional comecei a dar voz, de uma forma particular, ao hino de meu país.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

SE POR ACASO EU CASAR...



Nossa! hoje eu tive um sonho tão estranho, sonhei que havia me casado. Sabe? nem sei porque eu estou escrevendo sobre isso, mas acho que é um texto mais preventivo. Fiquei com medo das consequências desse tal de casamento, mas o meu medo maior é sobre o que eu posso fazer ou ser no futuro. Não quero ser igual ao restante das pessoas grandes. Papai e mamãe e outras pessoas que eu conheço - eu sei, não sou bobo - já sofreram muito com isso, pobrezinhos!

Eu queria poder alertar todo o mundo para não se enganarem com um tal sentimento chamado amor. Não tenho nada contra ele, amo muito minha mamãe, apenas queria dar um poder para todas as pessoas do mundo, o de enxergar quando o amor é verdadeiro. Quando os meus pais se casaram eu ainda era pequeno, sabe?, mas eu me lembro muito bem de tudo: meus pais remedavam tudo o que um moço de roupas estranhas e brancas falava, diziam "sim" para tudo mesmo quando estavam chorando e, no final, ainda se deram um beijinho.

Meus pais se casaram e a cada dia estavam mais distantes um do outro - e de mim. Estão sempre separados, sempre brigando... Mesmo quando eles estão de bem, eu posso ouvir minha mamãe no quarto gritando e pedindo ajuda - muito estranha essa gente grande!

O amor dos meus papais é verdadeiro, mas eu não sei o por quê de tanta confusão. Ouvi falar que é desse jeito que as coisas funcionam, assim, tudo muito complicado. Mamãe me disse que sem briga não há relação, sei lá o que ela quis dizer com isso, mas se ela falou deve ser importante.

Já pensou, se por acaso eu casar? Tomara que quando eu ficar maior, gente grande e inteligente, eu não me esqueça de tudo isso que eu escrevi aqui, pois quero ser o amor verdadeiro. Eu não sou desobediente, mas eu gostaria que todos os meus amiguinhos não aprendessem essas coisas feias das pessoas grandes. Esse mundo dos adultos é muito complicado, por isso, prefiro mil vezes brincar do que namorar.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

ABSTINÊNCIA


Ah, como eu precisava desse momento com as ideias novamente! Que alívio poder fabricar e sorver esse gole depois de tanto tempo, estava quase abstêmio. Há quanto tempo esperava por este momento mesmo? Sei lá, talvez alguns dias – meses ou anos -, quem sabe? Não importa, porque o tempo nunca fora importante para mim, nem nos meus momentos mais críticos, pois ele sempre se negou a atribuir-me respeito: por pirraça os minutos juravam-se eternos, assim o dia fazia-se infindável na ausência de um gole que seja.


Viciado, nunca fui. Mas admito que, de quando em quando, sorvia alguns goles com muita frequência. Às vezes, na ânsia de saboreá-los, eu mesmo os produzia, como faço agora. Faço porque sou fraco, não resisti - lamurio! Na falta de um gole minhas mãos tremulam e meu ritmo cardíaco acelera, ao passo que me perco em alucinações onde me encontro numa banheira repleta de goles...


Não quero ser abstêmio, não sou Santo, mas confesso que quase estive contido neste grupo. Por quê? As influências talvez: meus amigos sempre me ofertam com goles. Nunca resisto à tentação. Os goles mais amargos são os políticos, pois têm fel na sua composição; os mais doces seriam os de amor, no entanto, as fermentações na fábrica dos amigos de gole sempre os deixam assaz alcoólicos, assim ocultando toda doçura que remanesceria do seu néctar. Tem até água benta com teor alcoólico, onde mitos e divindades são postos em dúvida ou pelo menos tratados de igual para igual, estes goles não têm temor algum.


Enfim, já não aguento mais ficar sem goles. Nesse momento ponho a bebida (texto) sobre a mesa (desktop), entro no bar (Blog) mostrando minha carteirinha (login) para o porteiro (Blog Spot) e agora posso finalmente dar cabo ao meu gole (texto). Aguardo (carregando...) o seu toque final e agora sim está pronto. Vou com toda sede ao pote e o bebo (publico) demitindo-me da abstinência. Não sou viciado o suficiente, por isso deixo um gole para que os meus amigos depois o sorva (leia) – ou eu, quando a sede retornar.

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