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.: Um Gole De Ideias :. -> Dois anos no ar!

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segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Carta ao John


Olá, John. Como vão as coisas desse lado aí? Achei que demoraria escrever para você, devido aos problemas que venho nutrindo em minha alma. Problemas que vou relatar com mais detalhes parágrafos abaixo. Primeiro, porém, gostaria de dizer que nada que sustentei como verdade e fé permaneceram inabaláveis perante as constantes turbulências da vida. Estou caótico. Sou um caos, para uma compreensão mais justa.

Começo bem uma carta a um amigo que há muito não vejo. É isso, John. Distância e solidão ainda são os melhores motivos para se escrever a amigos como você. Ontem, depois de uma caminhada lá pelas tantas da noite, percebi que não sou mais o jovem e determinado Alexandre que conheceu eras atrás. Participo, passivo, desse jogo eterno de ações e recompensas que maldizíamos dos adultos. Lembra disso?

Sentávamos em sua varanda arejada e castigada pelos cupins e víamos os homens de terno e gravata e as mulheres de seda e sapatos caros, andando como quem pisa em ovos. Ostentavam sobriedade e alegria. Quando percebiam nossos olhares curiosos - ainda que mesquinhos – se aprumavam e voavam para o que chamavam de “mundo real”. Lembra? Tudo era tão engraçado. Dava para ver que nem eles nem ninguém sabiam alguma coisa sobre mundo real.

E cá estou eu, John. Em um mundo que jugo real, das primeiras horas do alvorecer até o findar de um desgostoso expediente. Falta cores e detalhes, histórias e moral. Tudo não passa de um vislumbre ineficaz e pouco atraente. Misturam-se as formas e têm-se outros finais. Contudo, nada é mais verdadeiro e dinâmico, coisas que a gente espera de uma vida real. Está ficando difícil manter as coisas no lugar, manter as cordas que me prendem ao chão.

Estou morrendo, John. Morrendo por amar as coisas mais que a mim. O mundo, o real, é efêmero para alguém que os ama de maneira eterna. E como as folhas amareladas que caem de uma árvore no fundo do quintal, eu pereço. Meus dias estão sem cor. A vida esvai como finos grãos de areia que desce por entre os dedos. Como os faço parar, John? O silêncio após a pergunta é mais avassalador que qualquer resposta.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

A MALDIÇÃO DA VIDA ADULTA


Mesmo em tempos de discórdia, havia um mundo onde a felicidade e a paz incidia-se retumbante. Nestas terras esguias, ao norte do Mundo dos Homens, a alegria era a moeda de troca. As brincadeiras eram sempre bem-vindas e vivenciadas a todo instante, não havendo tempo pré-determinado para elas, tampouco aquele final de semana ou feriado apertado para merecê-las. Além disso, a inocência fazia parte do cotidiano dos que lá habitavam e a sinceridade era radiante, porém nunca lacerante.

Como em todo lugar, naquele mundo também havia um líder, o Supremo Garoto. Ele era um menino como todos por lá, embora com um diferencial: era quem mais festejara anos de vida. Imagine o quão complicado seria manter um mundo em concordância, mas para ele não era. Lá nada era complicado para ninguém. A consciência dos habitantes daquela terra sem limites para sonhar trazia a boaventurança. Além disso, havia um deus que deixou escrito sobre as Montanhas do Oeste dois livros que norteavam toda aquela harmonia e felicidade invejável: o Livro da Felicidade Sem Fim e o Livro das Penitências.

Dentre todos os castigos contidos no Livro das Penitências, o pior deles era uma maldição irreversível, que resultava na saída daquela preciosa terra e, consequentemente, na entrada para o Mundo dos Homens. Em casos de discórdia, o Supremo Garoto era acionado. Ele mesmo avaliava o grau de severidade e qual tipo de punição deveria ser atribuida. A quem naquela terra se demitia da inocência verdadeira, lia-se a última página do livro, que prerroga:

"A MALDIÇÃO DA VIDA ADULTA

O tempo antes fora o teu amigo:

Apenas a sabedoria somava-se aos teus anos.

Agora o tempo é o teu castigo:

Viver significa maior proximidade com a morte.

Não mais gozará da felicidade sem motivos,

Não mais conviverá com a paz ininterrupta,

Tua mente não possui mais a inocência necessária.

Pertenceste agora ao Mundo dos Homens."

... E depois de proferida aquela maldição tudo que restava era o exílio e a contagem dos últimos anos de vida, a fim de conseguir com a morte uma renovação. A morte representa dar chance a uma nova vida e reconquistar a inocência da infância.

Enfim, hoje escrevo este gole por ser tempo de transição e de uma triste mudança. Completo os vinte três anos e agora aqui, no Mundo dos Homens, tenho que lutar por um pingo de felicidade. "Parabéns, cara"!

***

Segue abaixo imagens de momentos vivenciados no Mundo da Felicidade.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Dossiê Capitu

Começo a me confundir com os pecados que ele me aponta. Acho que quando ele me fita os olhos já não me admira como naquele dia em que rabiscava no muro nosso nome. Tudo anda tão mudado. A forma dos desejos, e como ele vem a mim, já são decorados. Tenho uma espécie de dor que não sai do peito. Ainda ontem o tentei abraçar, mas o peso do seu ofício não lhe permitiu que levantasse os olhos.

Vejo o mesmo horizonte da janela. Esses mesmos olhos, esses mesmos pensamentos... Anseio por uma visita dos nossos inseparáveis amigos. Minha amiga, ela sim, sempre tão viçosa. Parece-me que a angústia não costuma visitá-la. O marido dela tão fiel e desejoso dos afagos dela que chega a me atormentar uma pontinha de inveja.

Lembro-me de Bento quando penso em amor, mas em matéria de desejo me falta algum ardor que ainda não tenho notícia. Suponho eu que exista forma de manter esse quê de pecado ainda fora daquele universo de beatices que Dona Glória o incutiu. Nossa adolescência passou depressa por entre as nossas vidas. Da minha barriga veio um lindo garoto. Bento o olha diferente, não sei o que se passa. Estamos juntos faz um tempo e ainda não tenho acesso ao mundo de introspecção que é a mente dele.

Há uma nuvem, que me parece desconfiança, entre os nossos olhares. Não consigo encontrar a pureza que refletia dos olhos dele. Parece-me que lhe falta vontade, deve ter enjoado de mim. Certa vez confidenciei isso a Escobar, que me escutou atento. Ele me olhava nos olhos e confesso que por algumas vezes deixei que tocasse meus ombros e que aproximasse a boca de meus ouvidos. O vapor das palavras afagadoras dele me causou diferentes sensações. Ocultei o que sinto a mim mesma e logo encerrei o assunto.

Fiquei a pensar. Comparando e medindo tudo que sinto. Vi Sancha sorrir provocativamente a Bento, não fiz nada. Torturei-me com essas lembranças. Boas e más demonstrava-me caminhos ocultos que manteriam tudo em seu devido lugar. Confesso que a partir deste momento fui tomada por uma vontade que ainda não conhecia.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

O APELO DO REI

"Precisa-se com urgência de carinho e anteção". Foi este dizer que eu ordenei estampar numa faixa rubra para deixar bem à mostra no meu reino. Imagino o que todos os meus súditos devem ter pensado: "Como se um rei precisasse de atenção". Se eu pudesse ler pensamentos, cortaria as suas cabeças! Mas correria o risco de reinar solitário... e o que seria de um rei sem ter ninguém para serví-lo?


Um rei a todo momento vai à forca devido todas as suas responsabilidades, deste modo não sou como todos pensam: "felicidade plena"! Homem de ferro está fora de cogitação, embora gostaria de sê-lo; embora eu tenha um coração de pedra alojado num tórax de aço, de difícil penetração para sentimentos. Por isso, não pense que aquele simples impresso seja tarefa fácil. Ah! quisera eu que fosse... Entretanto, não estou pedindo muito, pois preciso ao menos que alguém faça cócegas no meu coração. Claro! Por outro lado, um rei que se prese passa por cima de quaisquer sentimentos e emoções, pois eles, especialmente o amor, faz-nos perder o controle sobre as coisas mais simples do mundo. Como administraria o meu Reino senão movido pela razão!?

Sempre fiquei angustiado pela triste falta, mesmo tendo tudo: as pessoas se aproximam de mim apenas por interesse - ou medo. Com relação aos meus sentimentos, não creio estar desiludido com o amor, contudo o meu coração é morada de dúvidas, não de sentimentos. Diga-me! Para quê serve uma rainha? Para mim, nada! O que ela deveria me fornecer como conjuge, nunca recebi, que é amor. Nossa relação representa apenas um acordo de paz e a extensão das minhas terras para o oeste.

Por isso o meu apelo real: vinde a mim aquela que possa fornecer-me o amor a troco de nada, pois é disto que preciso. Não quero amar, mas sim ser verdadeiramente amado. Quero alguém que não veja interesse na nossa relação e que se alimente apenas de paixão, porque amor me falta.

Suplico: quero alguém que protagonize o filme da minha vida, concomitante ao anonimato perante o mundo além de nós. Sei que haverá um final feliz. Preciso de uma amante! E não pense que padeço do mal do homem, a traição. Gosto – um pouquinho - da rainha. Ora! Ela é mãe dos meus filhos! Mas ela, gosta de mim? Ou apenas se alimenta da estabilidade real que a proporciono? Ou foram os nossos filhos que selaram um contrato de um filme de amor ("Amor, pura ficção!")? Ou seria o medo de uma velhice solitária se aproximando que nos mantém unidos? Em meio a tantas perguntas, não chego a conclusão alguma. Quer saber? se eu pudesse trocaria tudo por uma única pessoa em especial , a que realmente me quisesse para toda a eternidade. Mas o meu coração gelado não me deixa deleitar, portanto, prefiro sofrer sem ser amado em Paris, Mônaco ou Budapeste... creio que a pobreza de um camponês não pode alimentar a felicidade que provém do amor.


Enfim, descofiado que sou, com a dúvida plena do amor da minha rainha, prefiro neste momento abrir-me às oportunidades tendo um amor real formalizado somado a um verdadeiro amor. Deus! Não quero de maneira alguma subverter as leis divinas, mas se realmente é o todo poderoso dê-me uma amante, pois “amor a nada” não tem valor pra mim! E que a rainha nunca a descubra! Amém!


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