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.: Um Gole De Ideias :. -> Dois anos no ar!

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sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Sortilégios...


“Acho que está tudo aqui: pernas de aranha, olhos de sapo do brejo, urina de lagartixa amarela. Eca! Até urina de lagartixa? O que eu não faço para ter a pessoa amada aos meus pés. Bem, vamos começar. Aqui diz: ‘coloque tudo em uma tigela roxa e mexa até dissolver as perninhas de aranha e os olhos do sapo explodir’. Que nojo! Respingou em mim... Que cheiro horrível! Está bom, chega.

Segundo passo: ‘despeje o líquido na meia da pessoa que será afetada pelo feitiço e a guarde em seu armário de sapato. A pessoa grudará como chulé em seus pés’! Que piadinha mais sem graça. Mas se é o único jeito, que seja! Aqui tem uma observação: ‘sal ajuda a acelerar o processo de paixão. Mas não abuse.’ Uma pitada, que nada. Vai o saleiro inteiro!

A campainha tocou. Será que é ele? Que rápido! Droga! É o cara da pizza. Não, eu pedi de calabresa. Não, não vou pagar pela sua incompetência! Eu sou o quê? Me respeite seu moleque entregador de pizza! Vai você... É a sua mãe! Enfia isso na sua... Cala a sua boca! Sai daqui! Maldito! Ele vai ver. Onde está o livro negro, aquele que faz até o olho cair?

Por que o telefone tem que tocar logo agora? Alô? Ah, olá Jorge! Como estou? Bem, bem! Agora estou muito melhor. Sair? Sim, quando? Hoje à noite, claro! Você me ama? Que lindo! O que? Não, mas não precisa se mudar para cá hoje. É claro que eu gosto de você! Eu ligo, sim, para seus sentimentos. Não, não fale que você não vale nada! Eu, eu... Jorge! Jorge!
Ele já terminou comigo? Mas nem começamos um relacionamento! Foi tudo tão rápido. A culpa foi do sal! Sabia que era muito. E agora, o que vou fazer? Vou ler minha revista semanal de feitiços amorosos. Poxa, uma pizza agora faria bem. Página 3: ‘como atrair o entregador de pizza em dois minutos?’ Hum, ele era gatinho! Vamos lá. Dois morangos...”


Dedicado ao Amigo de Gole, Gleidson, que há muito não está entre nós. Será que teremos de fazer uma macumba para ele aparecer?

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Plano de fuga

Aquele cartão na minha mão não era precisamente um convite à discrição, e eu muito menos era, o que se podia dizer naquela ocasião, confiável. Estava feliz por ter construído uma confiança num meio não tão respeitável. Eles não tinham o costume de fazer amigos assim como aconteceu comigo, mas confesso que lapidei friamente com sorrisos e apertos de mão que não foram o que posso chamar de sinceros.

Lá no fundo do pátio, eles contemplavam curiosos os movimentos sutis da mão do líder. Um grupo deles. Ele, o único sentado, escrevia alguma coisa. Pela cara dos que o cercavam não era nenhum jogo de azar. Logo de cara imaginei uma oportunidade de me livrar desse cárcere imundo. Mas como conseguir aquele bilhete ainda era difícil de imaginar.

Antes do banho do sol, nós sempre obedecemos a um sonoro apito; e mecanicamente nos enfileiramos, cela por cela, rumo ao refeitório. Fica a sorte encarregada de combinar pessoas certas à mesa, dessa vez sentei-me junto ao líder. Eu o chamo mentalmente assim, não gosto daqueles apelidos chulos que circulam por aqui. A conversa que, porventura acontecera, deveria seguir o padrão entre-dentes de intensidade sonora. Supus algum plano de fuga, o primeiro e mais óbvio que veio a cabeça, e aquele troglodita achou viável. Sorte minha, pensei.

Certo dia, sentado junto à grade de entrada da minha cela, ouvi ao longe os vizinhos combinarem algo. Um código quase que rudimentar era usado, mas bastavam uns minutos de atenção que até mesmo quem nunca ouviu falar em tráfico decifraria os movimentos pra lá de previsíveis. Eles falavam de um grande pedido, um número grande e de uma missão muito sigilosa que não consegui entender direito. Aquele esquema me renderia um ensaio premiado sobre o código dos presídios.

Cruzei o pátio rumo àquele monte de descamisados. Não era corajoso o adjetivo que atribuiria a mim naquelas instâncias. Quis retomar a intimidade e usar da inteligência que exibi para o manda-chuva outro dia na hora da segunda refeição. Ao me aproximar percebi que eles interromperam o líder que estava a escrever. Ele me olhou com olhos ruins, mas posteriormente com certa simpatia. Fui me aproximando e cumprimentando alguns deles. Surpreendentemente depois de poucos minutos de conversa ele dobou o que escrevia pôs num envelope e o depositou na minha mão.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

A CHEGADA DO VERDADEIRO MESSIAS, FREDERICK NIETZSCHE


Aqui será levantado um fato que foi deixado em oculto por alguns séculos. Ninguém imaginaria que o messias chegaria logo num país repleto de malignidade e cheio de divisórias sociais e morais, num país de grande potencial intelectual desperdiçado, pois, contempla com uma frieza proporcional quando a palavra tratada é o “sentimento”. Talvez, o messias surgiria na Alemanha justamente por este motivo: para aproveitar a sapiência de um povo nobre até na pobreza para que os libertassem da cegueira espiritual.


Foi um fazendeiro visionário, embasado nos saberes da racionalidade, mais precisamente da matemática, que profetizou a chegada do messias nas terras da antiga Alemanha. William Miller, através de seu cálculo, disse que Jesus Cristo retornaria na estação das flores entre os anos de 1843 e 44; mas quando reformulada a data, o grande Pastor Samuel Snow bateu o martelo para o ano de 1844. Alguns documentos afirmam que mais de 100.000 fiéis esperavam pelo retorno do divisor de águas do mundo. A maior parte deste número virou o ano frustrado. Um núcleo credor das premissas do fazendeiro profeta rompeu com a cultura religiosa vigente e, dessa forma, criaram a Igreja Adventista do Sétimo Dia. Estes fiéis inventaram diversas desculpas para a falha de Miller e, claro, prorrogaram para bem tarde a chegada do Salvador.


Ninguém suspeitava, mas o messias havia nascido num pequeno vilarejo chamado Röcken, que abrigara pouco mais de 600 habitantes. Nascia, enfim, em 22 de outubro de 1944 Frederick Wilhelm Nietzsche, o homem que reescreveria os livros sagrados.


Seu primeiro livro, claro, foi gêneses: O Nascimento da Tragédia no Espírito da Música. O filho de Deus, humano, demasiano humano, dentre suas várias obras deixou toda a sua fúria contra os paradigmas cegos da Igreja. Nietzsche foi o fundador da “não-religião”!

Apesar de toda sabedoria demonstrada na Galileia, digo, Basileia, o grande filósofo-filólogo Nietzsche fora desacreditado e, desta forma, acabou sendo “crucificado” por todos aqueles por quem lutou pela libertação: recebeu o parecer de loucura. Foi quando Nietzsche chorou! O filósofo abriu os olhos de uma nação bitolada que nunca respeitava a interpretação dos pensamentos divergentes. Sempre desdenhado e humilhado, depois de póstumo ele foi, e é, considerado o grande filósofo contemporâneo do mundo; suas obras receberam a beatificação sublime do ateísmo, sobretudo o livro “O Anticristo”. Foi Nietzsche que tornou viável a participação de um papa alemão no Vaticano, afim de proliferar as suas grandes interpretações para a humanidade. E o Papa com nome de grafia impossível para os brasileiros sabe que nas câmaras secretas do Vaticano jaz o grande mestre da sabedoria, Frederick Wilhelm Nietszche.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

BOMBA RELÓGIO


Gel no cabelo, perfume número dois, calça e camisa social... Tudo isso para me encontrar com o “Dr.” Francklin. Não, não sou homossexual, fui apenas a uma consulta médica que, por sinal, não era nada de rotina. Também não fiz o exame de próstata (nada de ir ao “oculista”). Era algo de maior gravidade: seria divulgado o resultado da minha tomografia computadorizada.


Chegado ao consultório, logo percebi a conversa desconcertada, clássica dos médicos, aquela do tipo que omite alguma coisa ou, então, floreia os assuntos mais desérticos. Sempre fui realista e diretivo, sendo assim, não abri mão do verbo: “por favor, sem titubear, Doutor! Seja claro e não esconda nada de mim. Sei que não fiz uma tomografia pra saber se peguei sarampo, a coisa aqui é séria. Diga, logo, quanto tempo eu tenho de vida?!”


Como sempre foram feitos os rodeios protocolados da medicina, justificados pela tal da humanização: disse que, muito além dos dados estatísticos (os meus 13% de sobrevida), o ser humano vislumbra da sua singularidade. Mas no final estimou logo os meus últimos seis meses. Fez, ainda, um discurso sobre fé, discurso este que elevaria qualquer percentual para os 100% - isso para quem fosse cristão, entretanto, sou ateu.


Havia alojado em minha cabeça um tumor, uma bomba relógio que contava regressivamente o término de meus dias. Conduta médica: neurocirurgias, medicamentos, internação hospitalar... Minha conduta: viver intensamente os meus últimos dias, na minha casa e com minha família. Dos remédios não pude escapar: as náuseas e os desmaios do meu quinto mês em diante eram constantes.


Depois daquele dia de constatação diagnóstica, fui para casa e me “internei” no meu quarto. Lágrimas de luto, do meu próprio luto, foram derramadas. Fiquei reflexivo com pensamentos que oscilavam do vazio ao excesso de informação num segundo. Uma noite sem dormir, com a minha família apreensiva no andar térreo da minha casa, mas tudo que eu queria era um tempo de solidão para o balanço de uma vida inteira. No dia seguinte, peguei papel e caneta e escrevi tudo o que teria que fazer nos meus próximos cinco meses.


Vivi intensamente com minha família, tive a oportunidade de dizer o que jamais antes fui encorajado a fazer, perdoei meus inimigos, sai com minhas amantes, comprei um carro importado, saí da dieta... Eu estava lidando tão bem com a morte que assustei muitas pessoas por perto: eu comprei o meu caixão, de mogno e lindo! Mesmo entrecortado de angústias lacerantes, mesmo com os circuitos de uma bomba maligna me tomando; eu vivi, em pouquíssimo tempo, a melhor fase da minha vida. Uma fase repleta de amor, respeito, valorização e perdões.


Já convalescente ao leito de minha cama, paparicado por uma ótima equipe de cuidados paliativos, quis muito que o meu diagnóstico tivesse saído um pouco mais precocemente; não pela cura, mas decerto pela antecipação do nascimento do novo ser que havia emergido em mim diante da contagem dos meus últimos dias.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Peço um tempo ao tempo


Amor, eu preciso de um tempo!

Quem nunca ouviu esta frase, ao menos uma vez? Chega a ser irônico começar tal frase com “Amor”...

O que vem a ser “um tempo”? Quem o pede, classifica-o como um período necessário para pensar e repensar sobre o que, afinal de contas, quer da vida.

É como se, subitamente, a pessoa amada acordasse um belo dia com uma tremenda crise existencial, sabe? O dia começa e o cabelo não está bom, depois é a roupa que não caiu bem, vem a vontade de jogar tudo fora e comprar coisas novas.

Senta-se num canto, começa a pensar no porquê de tudo, dá o primeiro fora do dia na mãe, coitada, que só lhe perguntou o que havia com ela.

Daí vem à luz: preciso pedir um tempo a ele!

Como se afastar a pessoa que ama fosse solucionar todos os seus problemas... Mas tem a explicação, claro, não se pode pedir um tempo sem uma boa explicação!

Não é você, sou eu... Eu to confusa, preciso pensar, e passar esse tempo com você só o magoaria.

Por que será que elas nunca levam em conta o que nós pensamos? Talvez queiramos ser magoados, afinal já somos grandinhos o suficiente para entendermos que relacionamentos amorosos não são feitos somente de felicidade e mar de rosas, um bom sofrimento, às vezes torna o amor mais forte. Depois de nossa negativa em ceder o tal "tempo" pedido, começam os motivos para nos convencer...

Eu amo você, o tempo que passamos juntos foram os mais maravilhosos que já vivi, você sempre foi minha melhor companhia, meu maior conselheiro e sua simples presença me trazia tanta paz e felicidade... mas preciso ficar sozinha!

O engraçado é que esses motivos deveriam nos convencer de que elas estão certas, não é? Mas na verdade eles só mostram o quanto somos importantes e necessários a elas. Então, por que esta droga de tempo, tão necessário aos olhos femininos, precisa ser passado sem nós, as melhores companhias, os melhores conselheiros e transmissores de tamanha felicidade?

A frase: “Na alegria e na tristeza, na saúde e na doença...”, torna-se inútil em mentes tão teimosas quanto às de certas garotas. Nesta hora de adversidade, nos expulsam de suas vidas de forma tão surpreendente, como se não fôssemos sofrer. Dizer que o problema não é conosco e sim com vocês, não ameniza de forma alguma o quanto iremos sofrer!

Amamos quem amamos, com todas as suas virtudes e defeitos, deixe que permaneçamos em suas vidas neste momento tão confuso, não nos faça infelizes nos afastando de vocês e pensando que isto é o melhor para nós, quando o melhor para nós é ficarmos com vocês.

Peço, então, um tempo ao tempo! Não quero mais passar por isso em minha vida e não desejo tal infortúnio a quem quer que seja... Não quero mais ouvir de ninguém que "deseja um tempo", quando este "tempo" só servir para afastar! Vou querer de volta, senhor tempo, sem falta, o amor perdido quando seu domínio se esfacelar!
Por favor, deixe-me ser feliz, sem que o senhor se intrometa em minha vida e faça sair por entre os lábios de minha amada - lábios que tanto beijei - como um sopro frio e mortal, sua vontade tão cruel de afastar amores.

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