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.: Um Gole De Ideias :. -> Dois anos no ar!

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sábado, 27 de fevereiro de 2010

Lições do espelho

Olha pra mim!

Olha!

Eu tô falando contigo!

Será quando que você poderá parar de olhar pra baixo? Perde logo essa mania! Eu to cansado dessa estupidez cotidiana... Desses versos rimados pra adornar Orkut... Desse teu medo de encarar as coisas... Dessa tua mania de ocultar tudo e fingir que é erudicidade... Ser inteligente não é isso, Fabrício!

Olha pra mim!

Eu vou ter que ficar sempre te corrigindo? Você já não tem provas suficientes? Olha a sua volta... Olha! O que você vê? Agora olha pra fora desse banheiro... Olha pra longe desse espelho... Olhe com os olhos de dentro. Veja a sua vida morna, e suas reações vagas e misteriosas... Isso não é excentricidade, cara! Isso é comodismo. O que você quer é um milagre, mas você não acredita em Deus... Olha só que desastre.

Agora pensa, nem precisa olhar se não quiser.

Pensa comigo, quantas vezes as coisas planejadas funcionam? Tudo bem, elas funcionam... Mas pensa agora as vezes que você mais gozou dos momentos... É isso que eu quero fazer você ver. Eu quero que você deixe de pensar em alguns momentos. Por exemplo: eu não precisaria existir num texto pra te dizer isso. Isto é ridículo! Um amigo imaginário é ao menos outra pessoa, um personagem na linguagem adulta. Eu não sou um personagem... Eu sou eu mesmo. Eu sou você!

Olha pra mim, de novo!

Respira fundo e vai!

Feche os olhos da imaginação e morra de dentro pra fora. Às vezes é preciso morrer pra sentir a vida correr pelas veias, sem muita explicação. Hoje planeje então a morte momentânea da tua imaginação e permita-se a vida. Às cegas. Eu sei não vai ser um trabalho fácil, mas a insistência pode mover a vida pra frente. A nossa vida, inclusive.

Não vim aqui pra dividir culpa alguma com você. Por favor, não me encha com os teus encargos. O meu papel aqui é outro. Se fosse você nem divulgaria esse texto, periga acumular o papel de louco por mais tempo. É... Você gosta disso, não é?! Então divulgue e assuma essa postura inadequada, pode ser que aí comece a mudança que eu sugiro.

Mas é pra ter vergonha... Tenha vergonha disso!

Agora pode se virar, e voltar a sua vida. Vá pro computador escrever, não é isso que vira tudo na sua vida? Vá! A efemeridade da imagem aqui refletida é apenas o começo, os sentidos das palavras continuarão ecoando... Eu te conheço!

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Eu palhaço

Comecei a me vestir duas horas antes do horário combinado. Acho que na minha vida inteira nunca tinha demorado tanto, ou ao menos nunca tivesse dedicado tanto tempo a essa tarefa. A fantasia? Palhaço. Nada mais típico e adequado a mim. Curti tanto aquilo de me maquiar. Coisas de homens quando são submetidos a essas frescuras todas tipicamente femininas. Calças largas, peruca careca no meio, nariz vermelho, e frases engraçadas... essas não fantasiei. São as minhas velhas frases, ou o pedaço palhaço que posso mostrar mesmo quando a fantasia é de vida real.

Fui sozinho. Pretendia encontrar algumas pessoas no centro. Eu precisava passear com o meu palhaço declarado no meio da vida normal. Essa era minha fantasia. Antes de chegar ao ponto fui comprar um chiclete. Há tempos não compro chiclete. As pessoas me olham, eu decido sorrir, elas me conhecem... todas. Aguentei umas comparações já esperadas, os mais antigos gritavam bozo, nenhuma criança de hoje sabe o que é isso.

De longe avisto o ônibus lotado. Parece que ninguém sai de tão longe fantasiado pra uma festa do outro lado da cidade. Pois bem, esse era então o objetivo central. Escada, roleta, desvio de uma senhora com uma criança que ri, e me alojo bem no meio do coletivo. Risinhos, estes menos puros que o da criança de antes, tentam me incomodar, mas hoje o dia é meu. Tirei uma flor do bolso e entreguei a criança que me sorrira. Decidi matar o sorriso que tentava sustentar como que para decepcionar quem me taxasse. Eu matei o palhaço mim mesmo, e com isso vi o horror do riso por dentro.

Tudo já era divertido demais pra terminar melhor. Fui descendo do ônibus, cheguei ao local combinado. Não havia ninguém. Não gosto e não sei esperar por ninguém, mas a solidão do palhaço me afetava grudando meus pés ao chão. Acoei o palhaço numa sombra e descansei o bom humor. Lá longe vinha um militar e Vilma Flintstone. Minha companhia. Fui tendo com os outros fantasiados. Deu saudade de ser notado. Tentei arrancar umas risadas do sério soldado, Vilma me impedia, e ele parecia mesmo estar envolvido com o papel. Lembrei do riso visto de dentro, mas a felicidade deles era simples demais para essa tamanha complexidade.

Ao entrar na festa ri de muita gente feia achando que tava arrasando. Ah sim, tinha muita gente bonita também. Tenho meio que um ódio de gente bonita. As mulheres decotam mesmo os vestidos e blusas a ponto que uma freira pareceria fetiche de um filme das brasileirinhas. Os caras, de abdômenes tanquinho, arrumam qualquer desculpa para arrancarem as camisas. Isso quando não vêm sem de casa mesmo. Enfim... O cenário era a mesma coisa sem graça de sempre: luzes piscando, fumaça, som alto, conversa gritada, voz rouca no dia seguinte.

Fugi de algumas danças na desculpa de comprar cerveja pra gente. Ora somava mais uns outros, ora só nós três mesmo nos divertíamos. Odeio gente que leva festa a sério. Vilma parecia meio tensa quando observava o meu próprio silêncio diante do caos. E isso não é desânimo respondo eu a ela só que pelo olhar. Lógico que ela não entendeu. Sabe... eu dancei, mas não posso chamar isso de me acabar. Confesso que me surpreendi com aquela doideira toda. A certo ponto da noite o BEN 10 vomitava do lado da mulher maravilha. Bizarro!

Nasceu o dia e crepusculei meu corpo. Já não era mais festa. Maquiagem borrada, garrafas vazias jogadas, pontos de ônibus cheios, taxis escassos... Muitos iguais cambaleiam, muitos riem sozinhos, muitos roubam minha fantasia agora. E eu rindo por dentro me despeço da companhia e me disfarço de mim em frente ao espelho a base de água e coragem.

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