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.: Um Gole De Ideias :. -> Dois anos no ar!

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sábado, 23 de maio de 2009

O DIA EM QUE OS LIVROS VIRARAM VERDADE



Era manhã. Na Televisão era transmitido “O Jornal do Brasil”. Uma rajada de fumaça encobria o céu de Manhatan, New York. O caos fazia-se presente. O trânsito rodoviário, outrora congestionado por carros, naquele instante estava tomado por transeuntes horrorizados (americanos descrentes) que vociferavam socorro aos céus e corriam ensandecidamente, sem norte algum. A insegurança permeava em suas mentes: só pensavam em se proteger contra as forças hostis – desconhecidas, até então. Enfim, era “O 11 de Setembro”.


Apesar deste atentado terrorista ser o eliciador desse Gole, este não se constitui – ou quase não se constitui - de reflexões ideológicas ou econômicas desta tão catastrófica e desumana Guerra Civil, entre o Oriente Médio e a grande potência mundial, O Estados Unidos da América. Na verdade, esse Gole retrata o acontecimento que foi um divisor de águas para a minha vida: fez-me atribuir importância e atenção à História e introduziu-me à sua realidade.


Envolto de livros pelo sistema de ensino do nosso Brasil, sempre percorri todo o mundo em várias épocas. Passei por impressionantes acontecimentos à prova do tempo e do espaço – ainda que intransponíveis. Da pré-história à contemporaneidade, eu os vivenciei. Nessas desbravadoras jornadas fiquei íntimo de personalidades várias, dentre eles alguns mártires como Jesus Cristo, Hittler, Napoleão Bonaparte, Fidel Castro e Getúlio Vargas.


Por mais que eu ultrapassasse as barreiras do incontável e compartilhasse as dores e as glórias dos mais diversificados acontecimentos, eu ainda não havia assumido todas aquelas histórias como resultante e parte integrante da minha vida: sempre soaram para mim como uma ficção. (Sempre me questionei: a história se alimenta da verossimilhança, nunca da verdade: apenas a história do mais forte sobrevive, por vezes distorcidas.)


Culpo o nosso modelo de ensino-aprendizagem por isso. Nunca justificaram os saberes que introjetavam em minha cabeça. Num estupro de aulas expositivas, eles apenas expunham fatos, sem relacioná-los à minha realidade, ao meu contexto de vida.


Entretanto, talvez esse mau aproveitamento histórico fosse culpa minha. Nunca soube organizar e separar bem as informações recebidas, mesmo. Também pudera!: Num determinado momento, eu estava em plena Segunda Guerra Mundial, na aula de História, sendo que há cinquenta minutos atrás, eu contemplava as poesias do Parnasianismo, bem como o restante da pieguice da aula de Literatura. Assim, real e imaginário se fundiam em minha mente. Ficava perplexo com tantas ideias em tantas épocas, que eram acomodadas em minha mente para responder futuras provas - que nada avaliavam, senão a minha memória. Era tanta informação para um pré-adolescente – palavra que sempre exaltava na saída da minha infância – que tudo mutou-se em fantasia.


Entretanto, quando me deparei com o “11 de Setembro”, senti-me adentrado naquele espaço histórico antes estudado, finalmente. Agora, estava próximo a mim, um fato que ilustraria os livros didáticos dos meus futuros filhos e netos, e fiquei realizado – apesar de tantas lágrimas derramadas.


Aqui no Brasil, como sempre, todos eram indiferentes ao fato e, tudo era paradoxalmente estranho. Enquanto seus cidadãos choravam pela perda de vidas humanas pela barbárie ocorrida, ao mesmo tempo eles faziam apologias ao terrorista Ozama Bin Laden (idealizador daquele dia cinza): nos camelôs, ao lado das camisas com o Che Guevara, estavam a sua face azulada escondia atrás de uma farta barba e um turbante, músicas eram desafinadamente entoadas ao som dos batuques do funk bradando sua facção e, personagens à sua semelhança apareciam nos programas de humor. (Por isso que a ONU deveria eleger o Brasil como intermediário oficial de qualquer acordo de paz no mundo). Pobre nação! (mas, eu falei que não iria refletir, e não vou: retornando...)


... Enfim, fico sempre em êxtase quando me recordo do dia em que a história tornou-se real para mim. Feliz 11 de Setembro! Todos os livros antes lidos, considerados fantasiosos romances e contos, passaram a ser não-ficção, História. Os livros, enfim, tornaram-se “verdade” para mim. Percebia uma diversidade de fatos transcorrerem pela a linha do tempo e se interrelacionarem à minha vida, ao meu país e ao mundo. Agora, eu era um leitor bem mais “sujeito”, como diria Paulo Freire e, qualquer informação fazia parte do meu contexto – minha vida é história. A partir daí eu pude inferir, questionar, refletir e criticar tudo o que vinha para mim como verdade absoluta e, estava motivado para aprender - para vencer os percalços da vida e não os questionários das aulas.

6 comentários:

  1. Lembro-me bem do que fazia naquele instante... voltava do colégio(2º ano do Ensino Médio) liguei a televisão e a pauta do dia estava lá... exposta! O primeiro avião tinha colidido com o World Trade Center... Vi o segundo avião ao vivo!

    O dia acabou... a pauta de repetiu... e ecoou... Surgiram mesmo uns fãs tortos de Ozama. Enfim... Bush... A história mundial não tinha sido tão "contemporanea" também pra mim.

    ... enfim parabens pelo gole! Mandou bem, como tem feito sempre! A reflexão saudosista é sempre bem vista por mim...

    Um abraço!

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  2. O interessante é que muitos fatos do mundo respingam em nós. Um sucessao de historias e uma cadeia de eventos contribuem massivamente em nossa propria historia. Nao estariamos aqui se a Familia real nao fugisse de Portugal... Nao teriamos um economia emergente em pleno sec. XXI se os colonizadores deixassem de explorar e trabalhassem mais... Enfim, é a reaçao em cadeia de Einstein explicada na pratica social, rs! Bom texto, Jonatan!

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  3. O 11 de Setembro também foi um despertar para mim, e o descaso daqueles a minha volta me irritou profundamente. Estava em horário de almoço (devia ter 15 ou 16 anos) e voltei para o serviço temendo uma 3ª Guerra, revides dos EUA, bombas nucleares e, enfim, a extinção da raça humana... e ninguém se importava com isso... Nem meus professores se preocuparam em nos esclarecer...

    Isso me lembra a letra da música "Notícias Populares" da Ana Carolina...

    Obrigado pela visita, amigo! Volte sempre ao Sinopses. ;)

    Abraços

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  4. Falando em livros, em históra, e filmes eu citando sobre, Segunda Guerra Mundial mais uma vez vendo "O Pianista" chorando pensando em tudo que entrara em minha mente pessoas sofrendo, e tudo isso tão expansivo e rapidamente se encaixam em nossa mente ficando ea s coisas se perpetuando em livros e escolas...meu bem muito criativo seu texto.E obrigadoh por nos dar goles.Bjus

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  5. Muito bom texto, Jonatan. De gole em gole você melhora ainda mais, se é que isso seja possível.
    Esse terrível episódio ficou marcado em nossas mentes por causa da grande repercussão na mídia. Principalmente norte-americana que faz questão de manter o mundo informado sobre tudo o que lhes é favorável.
    O fato foi terrível mas a comoção do mundo lhes rendeu apoio.
    Aqui mesmo no Brasil, apenas com acidentes automobilísticos nesta década, somamos vários 11 de setembro sem que ninguém resolvesse procurar Bin Laden algum, se bem que poderiam ser encontrados vários reunidos num só plenário.
    Mas para não fugir completamente do assunto, relembro que no fatídico dia estava à mesa do café matinal já degustado, acompanhado de minha amada e de minha saudosa avó materna que assistiam a TV enquanto eu revisava um capítulo de meu romance Ainda Sem Um Nome! quando começaram os incessantes plantões globais.
    No próximo capitulo desse livro que escrevi até inclui essa história.
    Desculpe escrever somente isso; fiz um maravilhoso comentário, mas a rede caiu e perdi o que havia escrito e depois não mais lembrei, acho que excesso de goles, rs.
    Não sei se com outros já aconteceu isso ou se é burrice minha tão somente.
    Abraços

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  6. Como a maioria de vocês, amigos de gole, eu voltava da escola quando presenciei o segundo avião batendo na torre, ao vivo!
    Me desculpem pela frieza, mas naquele instante estava tomado por uma excitação absurda, beirando a satisfação!
    Bom, eu tinha 13 anos, né?
    Para mim era empolgante ver um avião bater num prédio, ao vivo, então!
    Somente algumas horas apo´s os ataques e nos dias que se sucederam, as emisoras de Tv mostravam em detalhes pessoas pulando do prédio, caindo como um pedaço de qualquer coisa que se desprendeu lá do alto...
    essas imagens sim, me chocaram!
    Na empolgação do "ao vivo", nem me liguei que haviam pessoas dentro dos aviões e dos prédios, tudo parecia tão irreal, um videogame de guerra, para ser mais exato.
    O que você disse, Jonatan, é a mais pura verdade, nós presenciamos a história sendo feita, o irreal tornou-se real, para nós.
    Será estranho dizer ao meu filho que aquelas fotos em seu livro de história, com as torres gêmeas caindo, não é uma coisa que aconteceu a centemas de anos, eu vi pela Tv, ao vivo, e vou me lembrar para sempre!

    Parabéns pelo texto nostálgico, Jonatan!
    Abraço!

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Muito obrigado pelo seu comentário (dose)!

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