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quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Enfermo de Amor


Esperei um, dois, vinte anos, a vida toda pelo amor e ele não veio. Tudo bem, não tinha mesmo a quem amar. Mas sinto que deixei para trás muitos minutos desperdiçados com telefonemas, scrap’s, e-mails, DR’s, beijo na boca, sexo e tudo mais. Acho que eu seria um bom amante. Alguma coisa dentro de mim me diz isso. Bem, agora não tenho mais por que me lamentar. Estou decrépito e vazio.

A única recompensa que levo dessa vida frígida e egoísta é a vantagem de ter permanecido sóbrio a maior parte do tempo. Meus amigos – que Deus os tenha em bom lugar – sabem do que eu falo. Eles caminhavam sob o efeito do amor, como suicidas cegos a caminho de um abismo sem fim. Eu, de certa forma, fui abrindo caminho, pois minha falta de amor era o próprio penhasco.

Outra coisa que podia me orgulhar em ter era minha dignidade. Dizem que “o amor é cego, mas não perdeu a dignidade”. Discordo, com veemência. Discordo, porque é por causa do amor que se mata, se morre, se mente ou se fala verdade; com veemência, por minha condição humana. Humanos amam! Onde estava minha humanidade quando precisei dela?

Sinto pesar em uma coisa, somente: deixei de me dividir em alguém. Deixei de ser o motivo das lágrimas, dos sorrisos, dos gemidos, dos orgasmos fingidos – não somos perfeitos. Deixei de ser o auxílio, o chão, a luz, o ombro para se descansar, o alguém que paga a conta – o amor é meio interesseiro. Deixei de ser o centro, a vida, o ar, a pessoa que faz suspirar.

O amor tem essa virtude: ao mesmo tempo em que é altruísta, que nos leva a doar ao outro por um motivo irracionalmente discutível, cobra uma recompensa, exige um agrado após um “eu te amo” – nem que seja um tapinha nas costas. Antes de pegar o Expresso Paraíso e dirigir-me a presença do Todo-Poderoso, para prestar minhas contas, digo pelo que morri: enfermo de amor.

5 comentários:

  1. Lindo texto, Xandy!
    Eu que tanto conheço você, sei o quão reflexivo é este texto!
    Seguramente este faz parte do seu top 5 de textos! rs
    Vou me atrever a dar um conselho agora, tá?
    Lá vai: já que escreveu um texto tão brilhante e reflexivo como este, se sabe qual é o "problema", digamos assim, pode muito bem tentar resolvê-lo e, nos fim das contas, ter um final diferente. Gostaria demais de ver que ao invés de Enfermo de amor, uma dia, perto de sua morte você possa dizer algo como "Morro feliz porque amei e fui amado"!
    Mas não estarei lá pra ver isso, já que de acordo com seu texto seus amigos morreram antes de você, né, espertinho! rs
    Gostei muito mesmo do seu texto, amigo!

    Abraço!

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  2. Alexandre,o grande escritor!
    Vamos lá...Pode parecer clichê,mas é a mais pura verdade: Não sei se esse texto traduz o que o autor sente,mas com certeza traduz o que este humilde leitor tem dentro de si...

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  3. Adorei a retonamada a você mesmo no "Dizem que o amor é cego mas não perdeu a dignidade"... o velho pessimismo no que diz respeito a esse sentimentozinho, né?! rs...

    O amor do lado de dentro tem outra cara, Xandi! E você sabe! Mas é mais fácil falar mal... E eu me meto a achar o autor no meio desse lirismo todo. É a droga da intimidade! rs...

    Parabens! é Sempre bom saber do amor, e do que falam dele...

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  4. Este comentário foi removido pelo autor.

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  5. Comentário acima CENSURADO! rs

    Não sei qual foi a intenção, mas eu me revoltei com esse eu-lírico que só vai descobrir o que deveria ter feito, ou se lamenta do que não fez, depois de morto.
    E ainda! As vantagens que ele vê em não ter amado é ter sido sóbrio a maior parte do tempo!
    Não vejo muita graça na sobriedade...rsrs

    Muito bom saber de pontos de vista diferentes!
    A-D-O-R-E-I!

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Muito obrigado pelo seu comentário (dose)!

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