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quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Prisioneiro


Eu não sou livre. Ninguém o é. Olhe todas essas amarras que insistem em erguer-se ao nosso redor. Tantas regras, éticas, rótulos e dilemas. Dizem que não há como viver em sociedade sem algum tipo de organização. Creio nisso, mas este sistema é uma desordem burocrática cega, imprecisa e violenta. E a liberdade individual é aceita se andar na mesma mão do bando. Se divergir, obrigam-nos a ser “livre” como a maioria.

Outra coisa que me perturba a mente é o fato de não saber quem eu sou. Não sei se minhas vontades e desejos primitivos são reflexos de um consentimento social ou partem do valor individual de uma análise. Acho que fui bem programado para fazer o que manda a cartilha e esquecer o que eu era, para me tornar algo socialmente aceito. Não sou mais um indivíduo, sou parte de uma massa. Sou peça encaixada, que não tem importância sozinha.

Não sei quem sou e não posso agir como quero. Encontrei aqui uma certeza comum, algo que está no inconsciente social: todo mundo não sabe mais o que quer e o que é. Eu vejo clones, ao invés de pessoas. Todos agindo conforme o outro, sem nem ao menos querer saber o porquê dessa sincronia massificada e perturbadora. Todos pensam a mesma coisa, falam a mesma coisa, amam a mesma coisa e o que for diferente disso não cabe no grupo.

Era para ser assim: para eu ser aceito no grupo, eu deveria apresentar uma opinião diferente da geral, ser livre para gostar do que eu quiser, ser diferente e único em tudo e com todos, não participar dos processos que me torna igual a todo mundo e viver bem com isso, sem nenhum tipo retalhação. Ser diferente é completamente normal, isso está na moda. Tomara que dure muito tempo. Não aguento mais não ser eu mesmo!

6 comentários:

  1. "não aguento mais ser eue mesmo" Adoro finais com cara de final mesmo! Sem medo de ser redundante ou ainda, o que seria pior, ser um amigo puxando o saco... digo que esse texto muito me agradou. Essa fragilidade na conduta social me inspira muito, e lendo teu texto me vi escrito e quis falar também! Acho que é assim que se julga uma boa ideia... medindo em quantas ela se fragmenta.

    Parabnes, cara!

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  2. "Ser diferente é completamente normal, isso está na moda. Tomara que dure muito tempo. Não aguento mais não ser eu mesmo!" Vale o excerto brilhante!!! Desfecho perfeito, amigo.

    Da mesma forma que o Amigo Fabrício, também me vi escrito nessa sua quase teia do destino.

    Agrada-me muito partilhar um texto desbojado, contudo com grande poder crítico para com as ciências sociais. Belíssimo o texto extremamente social (ista) - do início ao fim!


    ---

    PS:
    Eu, que estou agora mergulhado no mundo do marketing, vejo o quanto as massas são manipuladas e que os nossos gostos na realidade não nos pertence. Que talvez Jesus Cristo tenha sido um homem qualquer com boa oratória, o Obama uma estratégia de limpeza de imagem ou a imagem do homem simplório Lula não sejam reais. O mundo é plena promoção! Pois bem, que nossas difenças nos façam brilhantes e destaques.

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  3. Pactuamos com a comodidade da alma,disse Clarisse Lispector,e isso é algo nocivo.A verdade é que realmente precisamos viver de um modo que não desagrade a maioria(caso quero levar uma vida sadia e calma).Talvez o medo da terrível solidão nos faça engolir desejos e instintos;se este e aquele grupo não me aceitarem como se faz para viver sozinho?Triste coisa é solidão...
    No fim pagamos um preço catastrófico de qualquer modo:Ou chegamos ao fim da jornada carrancudos,odiando a todos por nunca ter sido aquilo que se queria ou então chegamos machucados seriamente por ter enfrentado a tudo e a todos.Não sei qual vale mais a pena...Deixando a profundidade de lado a resposta parece óbvia,mas não é...

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  4. Pois é companheiro, ser diferente aliás é tão normal, que ser normal já está ficando estranho. Já escutei por aí que sou muito normal :P / certinho / nerd?
    Fico feliz quando olho para os meus amigos e amigas! Se alguém nos vir na rua juntos, vai achar estranho... improvável... Eu talvez um nerd de cabelo arrumadinho, ao lado um grande amigo de barba ruiva e usando botas, outro que até parece Punk... uma garotinha sorridente, um emo? Outro com camisa de banda de Heavy Metal... enfim, só aparências... são todas pessoas que se dão bem, sabem pensar, e não tem tribo, apenas verdadeiras amizades creio eu!

    Um abraço, belo texto ^^

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  5. Visualizei você como uma passarinho preso numa gaiola...
    Ou melhor, visualizei vários pássaros presos num imenso viveiro, mas os pássaros éramos nós e o viveiro, o mundo!
    Era um viveiro tão grande, que voávamos até a exaustão, e ainda assim havia o infinito adiante...
    Isso que nos dá a falsa impressão de que somos livres, mas é só porque a porta de saída fica aonde não conseguimos alcançar!
    Por enquanto...
    Somos diferentes sim, porque somos seres pensantes, contestadores do sistema em que vivemos!
    Mas um dia alcançaremos, finalmente, a porta de saída...

    Parabéns pelo texto, Xandy!

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  6. É uma temática válida pra se refletir, a liberdade de ser, sem rótulos.

    Já não temos mais escapatória. A sociedade nos rotula como produtos. Na maioria das vezes falta algum aviso importante de como se utilizar, se aproveitar o conteúdo, podendo também haver informações dissimuladas com o objetivo único de promover a venda, ou ainda, há aqueles rótulos denunciadores de informes inúteis.

    Acredito que podem existir normas pra muitas coisas, mas não existe normalidade em SER. Ninguém é normal.
    "normalidade é uma ilusão imbecil e estéril" Oscar Wilde

    Muito bom!

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Muito obrigado pelo seu comentário (dose)!

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