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.: Um Gole De Ideias :. -> Dois anos no ar!

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sexta-feira, 18 de setembro de 2009

AS CRÔNICAS SECRETAS DA DINASTIA CHAN


Há muitos anos, isso bem antes de Cristo (não que ele tivesse importância neste período, pois era a época de Confúcio e do fundador do Taoísmo, Lao-tse), durante o legado da dinastia Chan, as primeiras crônicas foram talhadas em ossos de gado ou búfalo; estes seriam os respeitados e afamados “ossos do oráculo”, utilizados para ritos e adivinhações.

Esse uso exímio da escrita, que tornou imortalizada toda organização da dinastia, foi de bom proveito para a evolução e criação de um estado forte. No entanto, o que ninguém sabia, era que um líder, alguém que nem me lembro do nome (pois, como já disse: isso aconteceu há muito tempo!), utilizava os sagrados ossos do oráculo para orientação própria.

***

Agradeço-te por tudo, primeiramente. Aqui no nosso Vale nada nos falta: o Rio Amarelo guarnece a terra de fertilidade para as nossas colheitas, nosso bronze dá-nos os mais belos e práticos instrumentos. Além disso, gozamos em paz, sem rivais nos assombrando ou dragões nos assolando. Cidades estão sendo erguidas!

Ao pôr-do-sol suas oferendas, os mais belos vasos de bronze repletos de jades e castanhas, serão lançados ao rio em teu nome - como já até deve saber, ó Aquele Que Tudo Sabe! Agora, pergunto-te: se seria possível dar-me o amor da mais bela de todas as moças, a do rosto esculpido em argila?

***

O local onde o tal líder Chan realizava o rito lembrava as trevas; as chamas das velas e a fumaça rósea dos incensos cortavam o ambiente formando penumbras de diversas formas geométricas que pareciam vivas - e realmente estavam. O suor escorria da fronte do líder e seu olho estava semi-serrado pelo poder do ópio que fora consumido. O osso fresco repousava sobre o altar e um instrumento incandescente estava nas firmes mãos ,enluvadas com couro, do líder. Seus olhos se fecharam... E ele entrou em transe... Após algumas horas, os seus olhos abriram-se e visualizaram o osso, agora coberto de inscrições, que foram traduzidas assim para o português:



RESPOSTA AO CORDIAL CHAN APAIXONADO




Amado servo, essa que desejas pela beleza é sua irmã. Mas nada para mim é impossível, e nem para ti, se é isso que queres; Pois saiba que existe um preço a se pagar por isso muito além de qualquer oferenda. Assim, antes o alerto, que, caso consumado o seu desejo, todos os que te descenderão estarão fadados a uma inesperada maldição. Além disso, seu povo será conquistado por outros, advindos do noroeste, os Chous, e nada poderás fazer. Mas se é a sua escolha realmente... Apenas obedeça ao escrito deste osso.

Com os matizes verdes do Jade presenteará sua amada e, também, a si próprio por sete dias – são quatorze pedras ao todo. No último dia, com a última das indestrutíveis pedras, acertará a cabeça da bela moça, quando em sono profundo, e terás de beber ao menos uma gota do seu sangue. Viverão o amor eterno!

***

E tudo foi feito à risca pelo líder. Assim, ele consumiu sua irmã e compartilharam um amor intransponível. Seu próximo desejo fora um filho, mas o oráculo não quis o conceder: as tentativas eram frustradas, pois nasciam mortos ou completamente desfigurados, anômalos.

Os Jades deram para o casal a dádiva da eternidade: presenciaram os seus familiares serem assassinados, o seu povo destruído. Além disso, o casal foi aprisionado pelos Chous. Consciente de que inexplicavelmente eles não conseguiriam ser mortos, o imperador dos Chous ordenou que fossem cobertos com argila, depois com bronze e que, desta forma, fossem enterrados vivos no Grande Monte ao lado dos ossos do oráculo - as crônicas que narravam toda história de uma dinastia.

Os anos se passaram... E o líder vivia com uma amante intangível. Apesar de a sua amada aposentar-se ao seu lado, não poderia mais senti-la e, ainda, vivia com as dores indeléveis das guerras que foram travadas assolando sua mente. Pena que esse amor foi esquecido na história, mesmo com a Dinastia Chan perpetuada pela escrita, pois ninguém, exceto eu, teve acesso aos ossos secretos do oráculo.

5 comentários:

  1. Oráculos... dinastia... você?! O Tolkien faz mesmo milagres! rsrsrs...

    Grande conto! (literalmente)

    Abraço!

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  2. Oráculos, dinastias, amor eterno,incesto...
    Cada elemento na proporção certa!Impecável!
    A crônica apesar dos ingredientes fortes tem um tempero suave. Uma delicia de se ler! Impossível não viajar em cada palavra!
    Parabéns, Jonatan!!


    Alias a todos os proprietários deste blog eu devo dizer que só tenho flores a jogar!

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  3. Gosto muito do que é secreto, portanto trate de dividir cmg tudo o que dizem esses "ossos do oráculo"!

    Com um "quê" de tragédia grega, me fez lembrar de Zeus e Deméter.
    É bom ver que também se rendeu um pouco ao mundo fantástico!
    Belo conto!

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  4. Texto ao estilo Gleidsoniano, cara! rs
    Fantasia interessante, misteriosa...
    Vi uma mistura de tantos filmes neste conto!
    Pena eu não conseguir escrever essas coisas, né?
    Um dia eu chego lá, quem sabe? rs

    Ótimo conto!
    Parabéns!

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  5. Eu digo mais: rende um livro de fantasia, hein? Posso esperar? Quem sabe eu escreva na orelha do livro? Muito bom mesmo, Jonatan! Eu que nem gosto desse tipo de literatura, rs... Como disse o Fabricio, Tolkien faz milagres! Ate mais...

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Muito obrigado pelo seu comentário (dose)!

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