UM GOLE DE IDEIAS

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.: Um Gole De Ideias :. -> Dois anos no ar!

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quarta-feira, 29 de abril de 2009

Malditos porcos!


Resolvi adiantar minha carta de morte. Há indícios que a tal gripe suína atinja mesmo o Brasil e com força. E como todos sabem nosso sistema único de saúde não tem nem condições de dar conta de ferimentos leves. A pandemia já está quase anunciada. Estamos perto do fim.


Eu poderia tentar escrever uma espécie de testamento acreditando na sobrevivência de alguns de vocês que estão a ler essa carta, todavia não sou tão otimista assim. A importância de celebrar com os amigos as poucas linhas que me restam me fala mais alto neste momento.


Estou cuidando de cada detalhe, nem fiz questão da minha máscara azul. Tratarei logo de fingir que esse vírus não existe. Não saberia viver sem os calorosos apertos de mão, nem muito menos sem os beijos. Sou um propagador nato.


E vêm logo as comparações: gripe espanhola, gripe asiática, gripe aviária... para que tanta gripe meu deus? E lembro logo das inevitáveis previsões apocalípticas: as pestes. Enfim tudo colabora para que minha paranóia me enlouqueça.


Ainda a pouco ouvi um infectologista dizer que em seis meses podemos ter a tal vacina contra o vírus, não é animador? Não, não é. Ele percorreu toda a América do Norte e central em menos de um mês. E agora já está na América do sul. É só uma questão de transporte para ele tomar a Europa que a merda estará feita.


Por tudo isso, a partir de hoje minha vida está em regime de urgência. Todos os amores descartáveis assumem em definitivo. Os amigos novos foram evoluídos para os de infância. As crônicas virarão livros. E tudo que direi ou disse tem de ser levado a sério, como a gente costuma fazer com aqueles pacientes que estão prestes a morrer. A vida ganha instantaneamente um ar de beleza última, a qual tem direito. Deixo aqui um aceno derradeiro a todos que leram meu último gole. Partirei com meu copo ansiando por idéias/goles de outros povos que não tive acesso. Foi um grande prazer escrever com vocês! Fui...


terça-feira, 28 de abril de 2009

Eu tentei me consertar...


A épica busca para eu ter um coração em nada se compara com os infortúnios posteriormente adquiridos assim que consegui um. Ele bate, pulsa e compromete minha dignidade. Correm razões, inflama reflexões e eu já não sou mais o mesmo homem de lata de sempre, ainda abafando os sussurrantes pedidos que vem de um peito metalicamente oco.

Por causa da inconstância de seus movimentos – ora manso como um sossegado e musical passeio pela estrada de tijolos amarelos, ora arrítmico e tenso como uma tempestade de verão – perdi dois parafusos. Não sei ao certo se os perdi ou se eles nunca existiram nessa cabeça-chaleira que fervilha emoções profusas. Ando ameaçado por um sentimento novo: remorso.

Ele parece ter vontade própria. Atrai quem ele quer, ama quem ele quer e se entrega a quem ele quer. Para um boneco de lata com um coração lascivo, pareço um escravo eterno dos desejos que habitam em mim. Temo que uma marionete ou um peso de papel viva mais feliz que eu. A inveja surgiu na semana passada. Devo me acostumar a ela, visto que ela tem me visitado constantemente.

Deixei de me recarregar para para ver o que poderia me acontecer. Mas, insistentemente, ele ecoa dentro de mim um instinto visceral, uma vontade involuntária, a energia suficiente e necessária para manter-me vivo e à mercê de uma avalanche de prazeres sombrios ou nobres, de acordo com os resultados estampados em outras faces.

Muitos me perguntavam como eu reagia diante das dificuldades que eventualmente aparecia nas minhas articulações ou em qualquer outra parte do corpo, como quando emperrara e não saía do lugar. Era difícil e estranho no começo, eu confesso. Mas tudo se ajeitava. Agora, penso que óleo e chaves de fendas consertava parafusos e dobradiças, mas o que pode dar um jeito em um insensato coração?

segunda-feira, 27 de abril de 2009

ENTRE UMA CERVEJA E OUTRA, CAFÉ ÀS PRESSAS


Eram seis e meia da manhã. Acordei inebriado, bêbado de sono e em mente o meu destino: o trabalho. As meias invólucram os meus pés desde à noite passada e sobre o meu corpo parcialmente desnudo, camisa e calça são vestidas rapidamente – no âmbito da pontualidade.


“Rita, prepare o meu café, por favor! - Do banheiro eu gritava para minha empregada, enquanto penteava os poucos cabelos que o estresse me poupou.


Correndo, cheguei à cozinha e sobre à mesa, disposta de maneira organizada estava a alimentação matinal: pão com manteiga e um cafezinho bem forte, que exalava no ar o seu aroma inconfundível. Prendi o pão à boca numa voraz mordida. Enquanto uma mão segurava o molho de chaves, na outra estava o líquido que seria sorvido às pressas durante o percurso.


Dentro do carro, esperei: abrira a porta da garagem. Meu pé ansiara aconchegar-se ao acelerador. À toda velocidade parti com o carro. Ao passo que o pão fora digerido no meu ventre após uma ineficiente mastigação, equilibrei em minha mão o escuro líquido cafeinado. O café às pressas foi sorvido finalmente.


À vista, uma imensidão de asfalto cortado por listras amarelas paralelas, duas. Quando virei na esquina, deparei-me com numerosos automóveis em fila indiana que emitiam dissonantes canções busínicas: Disfonia n° 5 em Ré Menor de Ludwig Wolkz Wagen, Prelúdio em Ré Menor de Jonh Ford ka e Conserto Grosso de Viv'Audi. A rua era intrafegável. De nada valera minha pressa - só poderia lamentar.


Admito: pensei em unir-me aos demais (dis)músicos e até esboçei mentalmente o lá sustenido em fortizzimo que minha buzina entoaria. Mas, parei. Pensei. Fiquei perplexo, sem reação alguma. Percebi que era escravo do tempo e nunca conseguiria me libertar dele por mais que eu lutasse. Cri que a melhor escolha seria me entregar: a mesma mão que emitiria discórdia, tomara uma nova decisão: ela ligou o rádio em música suave e reclinou minha poltrona. Por um momento esqueçi da minha localização e claro, do meu destino.


Resultado: cheguei todo relax ao trabalho - em estado de êxtase - e deparei-me com o “bom-dia” cortês da recepcionista. Por fim, depois de tantos salamaleques, cheguei à porta do meu escritório. Vi o chefe caminhar resmungando em minha direção a todo vapor. Seria provavelmente minha demissão ou no mínimo uma advertência - um roubo dos últimos fios de cabelos que ainda me restam.


“O trânsito desta cidade está um caos hoje!” – o disse ofegante e apoiando uma das suas mão no meu ombro como anteparo.


“É verdade. Está cada dia mais difícil chegar pontualmente nesta empresa. O trânsito nunca ajuda” – o disse incógnito: ao mesmo tempo apaziguador e sarcástico”.

***

- Garçom, traz mais uma loura gelada! Esta aqui acabou num gole, não é verdade pessoal? Bem... o quê eu estava falando mesmo? Ah sim, lembrei: o dia em que eu me safei do nosso chefe e ainda o fiz de bobo. Agora vou contar pra vocês uma novidade: Adivinhem quem me chamou pra sair ontem?


“Claro, e você está fazendo o quê aqui conosco – um bando de ébrios solteirões- em pleno sábado à noite?” - pensaram simultaneamente todos os companheiros de mesa do contador de história. Digo, contador de estória.

domingo, 26 de abril de 2009

Para refletir


Na vida há momentos que nos fazem fugir de quem somos realmente, não por receio, mas por medo de não passarmos nos testes da vida. Testes dos quais sempre esperamos por aprovação para não se sentir só.

Os caminhos que encontramos a frente, mostra o tamanho da possibilidade que temos de ser felizes. Ou de desistir de tudo.

Existem muitos caminhos, mas precisamos escolher apenas um. E ter certeza que esse valerá a pena.

Aquele empurrão pode te fazer cair, mas sempre terá uma mão amiga onde quer que vá. Por você.

Se existe certeza no futuro?

Não. Não existe.

Mas isso não pode nunca ser a desculpa que procuramos para não tentar.

E se o futuro é incerto, viva a certeza do presente.

O hoje pode ser tudo o que você terá.

E nunca espere aprovação de tudo ou de todos, pois às vezes não há nada de errado conosco, ás vezes é o que você espera que faça parte da sua vida, como se precisasse dela para continuar existindo.

Faça sempre tudo valer a pena.

Por você.

Por quem se importa.

E porque assim poderá olhar o passado e ter certeza que só haverá coisas boas a serem lembradas.

Vergonha na cara! É do que necessita o mundo!


O destaque desta semana não poderia ser outra coisa: política. O presidente paraguaio assumiu a paternidade de um menino de dois anos, fruto de um relacionamento que manteve com a mãe da criança enquanto ainda era bispo da igreja Católica. Fernando Lugo, provavelmente enfrentará mais dois processos de reconhecimento de paternidade de mais dois meninos, um de 6 anos e outro de 1 ano e 4 meses. Além de “manchar” o mandato de Lugo, mais uma vez a Igreja Católica vê-se envolvida num escândalo que , possivelmente, arranhará a já tão desgastada imagem do catolicismo no mundo. Porém, renúncia é uma palavra na qual Fernando Lugo nem pensa.

Já na África do Sul, Jacob Gedlevihlekisa Zuma, membro do partido ANC (Congresso Nacional Africano, da sigla em inglês), foi eleito presidente com 65,9% dos votos. Zuma, que coleciona denúncias de corrupção - destaque para o Acordo de Armas, que teria beneficiado Jacob Zuma com alguns milhões em propinas - e foi acusado de estupro (porém inocentado), mantém a hegemonia do partido de Nelson Mandela, como é conhecido o ANC, e que já dura duas décadas no país. Eleger um presidente com tantos “atributos” negativos, somente por ser um líder negro e fazer parte do partido que lutou contra o apartheid ,(regime de segregação que separava negros e brancos dentro da sociedade) pode mostrar-se, futuramente, como um gravíssimo erro da população sul-africana.

No Brasil, acompanhamos o bate boca entre os ministros Joaquim Barbosa e o presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes. O ministro Joaquim acusou Mendes de destruir a credibilidade do judiciário brasileiro. No auge da discussão o ministro chegou a dizer: “Vossa Excelência quando se dirige a mim, não está falando com os seus capangas do Mato Grosso, ministro Gilmar”, o qual reagiu e exigiu respeito por parte do colega. Gilmar Mendes e o presidente Lula já trataram de afirmar publicamente que não há crise no Judiciário após o bate boca no STF. Que assim seja, pois se a justiça neste país que já é deficiente, entrasse em crise por causa de divergências entre seus ministros, não sei onde é que o Brasil iria parar.

E o congresso? Como uma bomba, viu-se envolvido numa tremenda confusão causada pela farra com as passagens aéreas. As cotas de passagens que, em teoria, deveriam ser restritas ao uso de parlamentares ou suplentes em serviço, foram usadas para bancar inúmeras viagens de parentes e amigos de parlamentares a destinos nacionais e no exterior. Que ótimo uso do dinheiro público estão fazendo, familiares dos parlamentares fazem tour pelo exterior e nós é que bancamos!

Não entendo de política, mas a coisa está tão escancarada que não podemos mais ficar em casa chocados, perplexos com a extrema cara de pau de alguns políticos deste país! Somos uma nação que pintou a cara e arrancou um presidente do poder (se lembram do Collor, né?) e agora simplesmente nos acomodamos? Deveríamos pintar nossos rostos novamente, mas para escondermos a vergonha que estamos sentindo... O mundo encontra-se desta forma, países sendo governados por corruptos estupradores, ex-bispos safados, ditadores e políticos que utilizam o dinheiro do povo para bem-próprio. Vergonha no Brasil e no resto do mundo, mas principalmente, vergonha por estar aqui, sentado, escrevendo este texto ao invés de estar lá fora, com a cara pintada lutando por um país melhor! O mundo afundará no mar de lama que ele próprio criou e nós afundaremos juntos porque deixamos que a lama fosse jogada, gradativamente, em nossos mares, antes límpidos.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Antes da Tempestade...


Domingo, 5 de Agosto de 1945.


Os dias se arrastam devagar. Não se escuta a palavra esperança nas casas de nosso vilarejo e rumores inquietantes assombram nossas janelas. Um sussurro abafado ecoa do horizonte, nossos temores aumentam com a escassez de sonhos e muito do que nos resta será pouco para continuar a viver.


Ajeito meu único filho para comemorarmos seu quinto ano. Amanhã todos os familiares se ajuntarão e ajudarão a estancar a ferida aberta por esses homens fardados. Celebraremos a verdadeira vitória que se pode conquistar na vida: a paz interior. Apesar de atribulados, não desfalecemos.


Yaki é meu tesouro. O único dentro desse baú abarrotado de quinquilharias e bijuterias falsas. Quando o vejo sorri, lembro-me do Sol, ouço o barulho contínuo de uma cachoeira desaguando num lago cristalino, penso que encontro o céu ou chego bem perto daquilo que os ocidentais chamam calorosamente de Deus.


Não tenho ambição de vê-lo se tornando um doutor, um empresário ou até mesmo um samurai. Meu único desejo é que ele encontre um mundo palpável e digno de recebê-lo. Quero que ele encontre no amanhã um lugar que sequem suas lágrimas de hoje. Quero que ele veja seu futuro límpido, como quando vemos nosso quintal pela porta aberta.


Estarei sossegada em saber que meu filho caminha como um guerreiro antigo, sobre pernas tenazes e com olhar valente. Que vê à frente a tristeza e deixa de lado a angustia. Hoje eu estou feliz porque eu sei que no mundo das possibilidades, tudo é possível. Ele encontrará seu bálsamo vivificador.


Segunda-Feira, 6 de Agosto de 1945*


Um estrondo, seguido de um clarão e calor, se fez ouvir. Enquanto Yaki apagava as velinhas, pela janela, vimos as casas se desfazendo, ouvimos gritos sufocados de dor e todo o cenário da infância de meu filho sucumbiu em fagulhas e cinzas. A última coisa que eu vi foram os olhos marejados de Yaki.

* Data em que ocorreu o bombardeio nuclear à cidade de Hiroshima, no Japão.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Salve Jorge!



É com muita tranquilidade que escrevo hoje porque o feriado nos proporciona isso. Ainda mais essa semana-presente-de-deus: terça-feira em nome de Tiradentes (21) folgamos, e hoje – quinta – por Jorge, São Jorge, folgamos. Essa nossa fama de gente que trabalha pouco é coisa de patrão, e justo agora quando eu tinha mais uns três feriados pra sugerir li a notícia: é proibida a criação de mais feriados no estado do Rio de Janeiro. Tenho fé na grandeza de meus propósitos.


Rola um tipo de humor negro sim, afinal São Jorge morreu nesse dia, vocês sabiam? E o outro lá “o mártir” no dia 21. Mas a nossa tendência de continuar o carnaval mal-acabado fala mais alto. A gente até reza primeiro. Coloca flores ao redor das imagens. Por falar nisso: que imagens! Eu tento fugir daquela banalização corriqueira que diz que Jorge está montado num burrinho lá na lua. Acho até que essa versão perdeu força depois da conquista americana fincando a bandeirinha em solo lunar. Mas isso é tema pra outro texto.


São Jorge o eterno guerreiro podia nos ajudar a revogar essa tal lei do feriado. Oh poderoso guerreiro São Jorge! Olhai os pobres feito ti, e ajuda-nos a incluir teus amigos, os outros santos, na lista dos aclamados aqui no estado. Tu sabes de nossa fragilidade, não colabores com a política de privilégio que se estabelece aqui. Conto com tua ajuda. AMEM! Salve Jorge!


E nesse dia de Jorge, podemos celebrar a beleza de um aceitado encontro sincrônico de duas religiões tão ímpares. O Cristianismo e a Umbanda. A sociedade preconceituosa permite esse encontro e esse passeio pluri-religioso. Amamos o Jorge guerreiro. De fé inabalável, que consegue as graças que devotamos a ele. Que mata nossos dragões com a mesma fúria de sempre. Que não se importa com o som calmo de um violão, ou de um batuque de um tambor. Temos muito que aprender com ele...


“Eu andarei vestido e armado, com as armas de São Jorge. Para que meus inimigos tendo pés não me alcancem, tendo mãos não me peguem, tendo olhos não me enxerguem e nem pensamentos eles possam ter para me fazerem mal.”

quarta-feira, 22 de abril de 2009

SOBRE A CEGUEIRA BRANCA DE SARAMAGO



Da minha própria verdade, do meu olhar perceptual, se faz esta análise: reparar o que há de representativo na cegueira branca de José Saramago, no livro cujo Nobel de Literatura conquistou em 1998, Ensaio Sobre a Cegueira. Uma obra maleável à essência do leitor.

***

Por que não uma cegueira convencional? Aquela que nos deixa fitando nada mais que o vazio, numa solidão visual amarga, numa escuridão à procura de porquês através de outros sentidos. Mas, Saramago trouxe algo original, tão repleto de sentidos quanto o todo da obra. Algo mais repleto de entrelinhas do que palavras.

Sim, a cegueira branca, ao contrário da convencional fita o infinito, pois nela não existe uma linha do horizonte para limitar o ponto da máxima acuidade visual. Esta cegueirassaramago é aproximar-se muito a algo e, no entanto ainda assim não conseguir ver. Ao contrário da tradicional cegueira negra, onde nada enxergamos porque estamos privados desta habilidade; tudo está oculto e incógnito como o universo - não sabemos se realmente ele existe em finitude ou em sua infinidade, enquanto não o transcorremos.

Mas de onde veio o simbolismo sobre a cegueira branca e qual o porquê dela?

É da ausência de cores que se faz o negro: é não estar, não ser. Contudo, a cor branca se faz de uma miscelânea de vidas, do multicolorido que se funde, transmutando-se em um só elemento. Nesta demasiada clareza, tudo existe, tudo está diante dos olhos, porém uma percepção débil não se faz pródiga sem que haja distinções.

No livro do Sassá (desculpem-me a intimidade, mas minha narração não resistiu), a humanidade sofre com este câncer, a cegueira branca. Esta pandemia se estende, se alastra sobre o homem num ensaio para abrirmos nossos olhos - míopes - perante as atitudes vãs que exercemos. Sobre as muletas que arrastamos como aleijados, reside um comodismo desmesurado onde o desrespeito faz-se dentro da normalidade: roubar, matar e destruir torna-se algo inevitável, desta feita fingimos não enxergar tais atrocidades para seguir nossas vidas - talvez realmente nem as enxergamos. Realizamos assim, “ações-inércia” (agir pela não-ação, ficar indiferente), iludidos com esta válvula de escape: como se deixássemos o mundo perecer não nos influenciasse em vida.

Portanto, trancendamos o olhar. Ver apenas, não basta. Pare! Reflita sobre, conheça! Tentemos reparar no que há/está em nosso redor.


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