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.: Um Gole De Ideias :. -> Dois anos no ar!

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domingo, 24 de outubro de 2010

ESTÚPIDO CUPIDO


Por Zeus! O teu estado de saúde é gravíssimo! Perdoe-me pelo acontecido... Eu só queria mesmo ajudá-lo, dando-lhe amor. Juro pelos deuses que, em momento algum, as minhas flechas visavam feri-lo, ainda que eu mirasse o teu coração.


Exagerei nas doses de amor, eu confesso! Mas, em todos estes séculos como cupido, nunca peguei caso como o teu: possuíste uma barreira impenetrável, uma barreira anti-amor. Ao comunicar isto ao meu chefe supremo, ele, com a maldade que lhe é própria, ordenou que eu aumentasse minha precisão e o concentrado de AMORAX, além de persistir em você. Veja agora aonde terminou a minha obediência: num mar de lágrimas. Acabei despertando o mau do milênio: a depressão.


Nem como arcanjo posso tomar juízo do quanto sofreste, entretanto imagino o que deveras sentir. Ouvi dizer que é maior que o mundo: a dor do amor é maior que tudo. Ainda assim, nada poderei fazer para auxiliá-lo. Pare! Pelo amor de Deus... não me culpe, por favor! Já disse que não queria destruí-lo, tampouco fui o mandante da missão.


Sei da tua vida estava tranqüila na solidão, no entanto, não era esta a vontade do Deus. Não era da vontade dele que alguém gozasse da felicidade sem ao menos saber o que é amor. Ninguém precisava escolher nada por você, eras tu somente quem podia trilhar teu caminho. Isso era invejável.


Ultimamente tem sido complicado seguir a profissão de cupido. Antes era alimentado pelo desejo que a humanidade tinha por amar, atualmente sou apenas um estorvo para a vida contemporânea. Os cupidos estão sendo considerados tão chatos quanto os operadores de telemarketing ativos (aqueles que fazem cobranças). Todos correm de mim e das minhas flechas, assim como as pessoas não querem receber telefonemas para serem lembradas do vencimento da fatura do seu cartão de crédito. O motivo: ninguém mais quer saber de amor! Ele é incômodo, numa sociedade aonde o sexo circula livre. Não é preciso encantar para obter o sexo, basta ter vontade. Desta forma, minha profissão padece com sua desvalorização.


Antes eram centenas de casais formados diariamente, atualmente é raro formar um que seja. Zeus chegou até a abrir mão da diversidade dos sexos, agora atiro em todos: formo pederastas, pedófilos e tudo mais que era anteriormente visto como intangível. Mas o teu caso é raro, pois nunca vi alguém sofrer tanto com o amor... possuíste alguma alergia ainda não identificada, talvez. Tampouco, vi alguém entrar com recursos contra Zeus, recorrendo ao próprio Diabo, por causa de amor. O acusa de perseguição devido o roubo de seu estado pleno de felicidade sem seguir preceito divino algum: nunca foste à missa, não se batizou, o casamento nunca foi nem sequer imaginado e, antecipadamente, optas por não ser velado quando sucumbir.


Enfim, tu viveste uma vida tranqüila, apesar da distância para com Zeus... isto até o dia que eu fui enviado. Resistiras às primeiras flechadas... no entanto acabou se rendendo. Agora você ama sem vontade própria e quer terminar tudo de maneira trágica: uma flechada da morte para silenciar o sofrimento.

3 comentários:

  1. Já ouvi o cupido reclamar da internet... da distancia que os amantes se impõem. Tipo se apaixonar por alguém do Azerbaijão. rs...
    Ele disse também que aquelas luzes da boate só confundem... ele nunca foi tão bom da vista e a gente sabe disso.

    A vida da ficção também é prejudicada. As frustrações sempre existiram... e agora já alcançam o plano ficcional.

    A paz não deveria ser contemplada. Não há nada mais sem graça que viver em paz. Parece rotina. Acordar sorrindo como adolescentes em manhã de domingo. Não! Vamos celebrar a estupidez humana, como sugeriu o Renato.

    No mais... segue a vida e seus incansáveis temas para textos geniais como esse. Tão particular e tão universal ao mesmo tempo.

    Parabéns pelo gole tão hermético e confessional quanto ficção!

    Abraço!

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  2. A mistura de mitologia valeu a pena no desenrolar da história. Zeus e culpido, Deus e diabo. Esse tal de amor é um inconveniente e falido. Coidado do cara aí. "Sementes de pimenta". Bom texto, Jonatan. Até mais...

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  3. Boa tentativa... Mas nem foi de lá que proveio isso... Aliás, também, Xandy... Mas na verdade esse texto estava armazenado no meu celular em alguns eventos, desamorosos por sinal, anteriores aos temperos exóticos que pairam por aqui. rs...

    Abraço!!!

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Muito obrigado pelo seu comentário (dose)!

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