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.: Um Gole De Ideias :. -> Dois anos no ar!

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domingo, 4 de abril de 2010

O médico disse

O médico disse que estou demasiadamente acima do peso e que devo melhorar minha alimentação. Disse que devo fazer exercícios físicos regulares e procurar tratar de minha depressão. Em meia hora gastei cerca de cem reais e tive ódio por estar vivo dentro dessa capa sedentária de gordura acumulada. Que espécie de deus ele acha que é?

Fiquei escutando as recomendações e imaginando as cenas que vi algumas vezes. As academias lotadas de gente fazendo careta e suando, feito primitivos, a caminho de coisa alguma. Isso não é pra mim. Eu sou um intelectual! Olhei em cima da mesa dele um cinzeiro cheio de pontas de cigarros. E que ele era tão gordo quanto eu. Ainda me contive.

Levantei, tirei a camisa como ele sugeriu. Ele encostou aquele estetoscópio gelado do meu peito e disse que minha respiração estava meio ofegante. Receitou uns exames de rotina. Pensei: só se for a sua rotina, minha vida não é essa. Acho que minha revolta não vai se conter por muito tempo. Ele olhou meus olhos, puxou a pálpebra inferior com o dedão e suspeitou de uma anemia também.

Juro que àquele ponto da conversa já me sentia um hipocondríaco ou um covarde que tem medo de viver e que vive nesses laboratórios esperando um aval pra vida. Já tinha ensaiado uma série de observações e diagnósticos que fiz àquele velho que me repreendia. Resolvi me vingar de forma mais culta e cá estou. Não fiz os exames que ele pediu... E ainda estou aqui, e aposto que mais feliz e vivo que aquele poço de sabedoria curativa.

Os padrões de normalidade podem não fazer bem aos que são fora dos padrões. Existem formas alternativas de se ter a tal felicidade vital. Ignorei o medo da morte por hoje, e se ela voltar procuro um amigo que me tenha um abraço aceso, ou uma pessoa que me dedique bons beijos luxuriosos. Sigo driblando a insegurança e a sensação de pobreza intelectual que não me supre sempre. Estou bem! Que seja assim.

AO PERSISTIREM OS SINTOMAS UM MÉDICO DEVE SER CONSULTADO. MAS QUE A CONSULTA TENHA AR DE CONSULTA, NÃO DE DECRETO. TUDO É ALTAMENTE QUESTIONÁVEL.

6 comentários:

  1. nossa! adorei esse texto! mto bem sacado!

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  2. Eu-lírico, eu sei que dói darmos esse pode para alguém que tão pouco nos conhece, tampouco sabe o nosso nome. Mas pode confiar, são artístas da saúde (MEDICINA: ARTE DE CURAR?). Sei tambem que existem pacientes resistentes, ainda mais no seu caso, pois foi diagnosticado uma depressão. Ou vc apenas recebeu este rótulo.

    Bem, tenha paciencia... peça uam opinião profissional diferente. Mas será que vc realmente quer comprovar o que é fato e vc nãio admite, eu-lírico?

    Relaxa... todos nossos temos que "viver a vida".

    Sei tambem que no seu caso, existe uma resitencia perante autoritarismos, mas calma... seu médico parece arrogante (talvez seja), mas ele não abusa do seu poder, apenas o utiliza.

    Att,


    Sociedade Goleira de Medicina

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  3. Adorei o texto, Fabrício... e gostaria muito que médicos preocupados com os seus protocolos o lessem. Pois ao que me parece a rotina médica os deixam a par dos sentimentos alheios...

    Campanha Humanize seu médico...

    Gole com sabor de consultório.

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  4. Vou confessar que comecei a malhar sem fazer exames médicos antes,mas agora lendo esse texto eu vejo que daria no mesmo!
    Mas enfim,outra que preciso confessar e agora eu até fujo um pouquinho do foco principal do texto:Sempre achei que esse universo de academia jamais me acolheria e mesmo se o fizesse eu,por devoção ao cérebro,jamais me renderia.Pois bem,hoje sou quase um fissurado em academia.Serve como uma terapia.
    Lógico que me cócegas olhando o comportamento de algumas pessoas que diante do grande espelho das academias ficam hipnóticos com consigo mesmos ,apaixonados por cada músculo saltado.E sejamos sinceros que ver corpos definidos é muito bom! Eu perco meu tempo com isso,sim!

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  5. Tá parecendo a minha avó, que corre de médicos como o diabo da cruz! rs
    Mas confesso que minha última consulta ao psiquiatra foi bem parecida com seu texto. Me senti indignado com certos decretos dele, aquele velho, sentado lá, na minha frente, sentindo-se senhor de todas as razões e me explicando, literalmente, como se me conhecesse a vida inteira, ou convivesse comigo tempo suficiente para tal. E explicou-me erradamente, aquele grande filho da mãe!
    Decidi não mais ir à psiquiatras, mau nos ouvem, sacam logo seus talões verdinhos e nos receita um calmantezinho qualquer para aplacar as dores e os anseios...
    Adorei o texto, acho que qualquer um que o leia, vai se identificar um pouco que seja com esta situação. rs

    Parabéns, amigo!

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Muito obrigado pelo seu comentário (dose)!

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