Dedico ao Alexandre, pela conversa inspiradora.
Certa vez, no alto de meus 10 anos, a vida e eu fizemos um trato: eu a levaria em frente sem reclamar e ela jamais afastaria meus amigos de mim.
Vida mentirosa!
Segui à risca minha parte, mas ela, vil que só, tirou-me os amigos.
Vê-los anualmente não era o acordo, nem mesmo mensal ou semanalmente, todos os dias, era o contrato; caso contrário não teria assinado.
Já sei, foram aquelas malditas letrinhas miúdas!
Deveria ter desconfiado, aquelas letrinhas tinham um quê de coisa desprezível.
Deixe-me conferir o que há, afinal:
O contrato será invalidado caso os amigos façam faculdade em outras cidades, arranjem namoradas ou em caso extremo, se casem!
Devia ter negociado melhor...
Quando assinei o contrato não levei em conta que meus queridos amigos fariam suas próprias escolhas, que eram donos de seus destinos, e que a danada da vida só era responsável por levá-los de um ponto ao outro, sem direito a interferência.
Dito e feito, cada qual fez faculdade numa cidade diferente, os poucos que ficaram arranjaram namorada e viveram por elas e para elas... e eu fiquei sozinho.
Puxa! Tentei controlar a vida e ela me passou a perna!
Pobre de mim, traído por meu próprio egoísmo.
Por vaidade, não posso, agora, esmorecer!
Espero, então, a morte!
Quem sabe se lembrem do velho amigo, neste momento triste, e por amizade ou mesmo piedade, venham derramar ao menos uma lágrima sobre meu caixão.
Dentro dele haverá um menininho de 10 anos que perdeu a vida porque a vida não lhe mostrou em letras garrafais que amigos seguem rumos diferentes, mas que a amizade e o amor que um dia os uniu ficarão para sempre em seus corações.