Rio de Janeiro 31 de Maio de 2009
Querida,
É engraçado, mas ainda insisto em escrever e-mails em formato carta. (Acho que você se acostumou) Decidi escrever a você hoje, pois ficarei longe de ti por alguns dias... semanas talvez. Essa mensagem é esclarecedora e finalmente você saberá que trabalho me exigia tanto sacrifício.
Iniciei uma pesquisa há dois anos. Decidi, por questão de sigilo mesmo, dividir o trabalho em núcleos, laboratórios diferentes, de forma que mesmo eles (membros da equipe) não tivessem acesso ao todo da pesquisa. Desse modo, recebi ontem o último resultado... o laboratório da Europa finalizou o quebra-cabeça. Descobri uma combinação de fatores (simplificando linguagem para ser entendido) que elevará a ciência, podendo até chegar a cura de doenças incuráveis até então.
Eliza! sei que o material que carrego comigo agora é de valor inestimável e que outros laboratórios também se interessam e tentaram de algumas formas me sabotar. Por isso peço que mantenha este e-mail entre nós dois até que consiga resolver a papelada da patente. Confio em você!
Escrevo este e-mail daqui do aeroporto mesmo. Acabo de resolver tudo. Daqui a pouco embarco para Paris. Vai ser uma boa oportunidade para revisitar o meu francês que pensei ter aposentado. Quando me acomodar no hotel onde ficarei, lhe mando outro e-mail só pra confirmar que cheguei bem.
Enfim, gostaria de tê-la comigo. Tenho saudade! Penso sempre em você com uma estima incomparável. Eu te amo, muito! Quando retornar da Europa quero um jantar comemorativo. Podemos aproveitar e oficializar o noivado entre nossos amigos. Agora tenho que ir... já anunciaram meu voo.
Até a volta,
Beijos!
[Atenção passageiros, última chamada para o voo: AF 447]