Desculpe-me se pequei na originalidade na escolha deste tema, mas a verdade é que diante de tudo que rendeu os textos dos amigos-de-gole resolvi por falar dele também: o amor. Vale ressaltar que me isento aqui da posição flutuante de poeta e me dedico intensamente a prosear por esse caminho obscuro em que o amor sugere.
Para começar e entender algo sobre este assunto tão complexo resolvi recorrer ao dicionário... Pai Aurélio não me trouxe muitas certezas. Claro que ficou algumas noções interessantes e preconceituosas também. Drummond tinha mesmo razão “o amor foge a dicionários e a regulamentos vários”.
Sentir é algo mais complexo... que beira o irracional, às vezes ultrapassa. O amor é doce, amargo, corrosivo e transparente. Ora... já disse que não posso ser poeta! Caio em outra discussão: razão e emoção. É comum usar palavras que sugerem uma alteração da razão quando se fala de amor... reparem: louco de amor, entorpecido, embriagado, doido... quase que rimam com apaixonado.
Às vezes sinto como se o amor fosse algo que só desse certo na ficção. Os romances/filmes/novelas transformam qualquer tentativa real em frustração. Não temos aquelas trilhas sonoras portáteis, nem um roteirista corrigindo os furos da trama. A vida não permite ensaios. Talvez por isso amar seja um exercício muito mais sacrificante que prazeroso.
E se o amor for mesmo prosa, como bem disse Jabor, estou no caminho certo. A verdade é que o amor enche linhas, parágrafos, vidas. E a gente tenta na ignorância discreta transformá-lo em coisa. Tirá-lo do altar em que ele se encontra e conjugá-lo em nossos erros comuns. A culpa é da razão.
E depois de tudo isso... numa passada apressada na rua, encontram-se olhares cúmplices e transformam a razão em pó. Mais umas trezentas teorias, e conclui-se que o melhor que se tem a fazer é empregar o verbo sem precisar necessariamente de algum sentido.