
Pegando carona no texto “Dois Titãs...” do grande amigo Alexandre, senti a necessidade de falar sobre dualidade. Sobre a batalha entre o bem e o mal, batalha esta, travada dentro de mim. É uma luta árdua, em que diariamente vejo-me obrigado a sufocar o mal que insiste em querer sair e mostrar sua face através da minha. Penso realmente, que todo ser humano tem dentro de si, uma percentagem de bem e de mal. Uma dessas partes fica calada dentro de nós, provavelmente sufocada pela educação que recebemos de nossos pais, de nossa escola, dos ensinamentos que nos são incutidos através da religião a qual fazemos parte. Porém, o “mundo”, os amigos, ou através de qualquer outro meio, a parte antes adormecida, ganha fôlego e começa a mostrar do que é capaz...
Tantas vezes assustei-me ao ver um cachorro sendo morto, mas um minuto depois retomar o que estava fazendo como se nada tivesse acontecido. Fora o prazer doentio que às vezes sinto ao saber que um desafeto meu foi acometido por alguma desgraça... Pego-me a desejar o mal alheio, não necessariamente de um inimigo. Tenho medo dessa parte... Peco terrivelmente em meus pensamentos, felizmente não os ponho em prática! Minha consciência encarrega-se de chamar-me à realidade, lembra-me de que devo, rapidamente, domar aqueles pensamentos ruins. Sinto dor após esses pensamentos... Somatizo tudo em dores no estômago e fico agarrado a meu travesseiro, deitado em posição fetal, esperando minha parte boa avisar-me de que já não há mais perigo, meu “diabinho” interior, voltou ao meu inferno interior... Levanto-me, então, e continuo a vida.
Como pode haver tantas guerras pelo mundo, se a guerra individual, que cada um de nós tem de lutar diariamente, é a mais dura e importante de todas? Não há como domar o mal alheio através da força, se nós mesmos não conseguimos aprisionar o nosso. Se isso não acontece, então não tentamos domar o mal que há nos outros, e sim, estamos dominados pelo nosso próprio mal e que está ali para fazer com os outros o que está em sua essência... Por isso tantas guerras acontecem, tanta gente morre, tantos não compreendem a si mesmos... Quando finalmente sufocarmos a parte que nos é desagradável, o mundo, então, agradável será! Olhem no espelho, caros leitores, o que vocês veem? Um anjo? Um demônio? Eu vejo meu próprio reflexo, mas cabe a mim decidir a imagem que quero ver!